LISSABON Foto:G.Ludovice Clarice Lispector esteve em Lisboa em 1944
Clarice Lispector
nascida Haia Lispector (Chechelnyk, 10 de dezembro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977)
De origem judaica, terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector. A família de Clarice sofreu a perseguição aos judeus, durante a Guerra Civil Russa de 1918-1921. Seu nascimento ocorreu em Chechelnyk, enquanto percorriam várias aldeias da Ucrânia, antes da viagem de emigração ao continente americano. Chegou no Brasil quando tinha dois anos de idade.
A família chegou a Maceió em março de 1922, sendo recebida por Zaina, irmã de Mania, e seu marido e primo José Rabin. Por iniciativa de seu pai, à exceção de Tania – irmã, todos mudaram de nome: o pai passou a se chamar Pedro; Mania, Marieta; Leia – irmã, Elisa; e Haia, Clarice. Pedro passou a trabalhar com Rabin, já um próspero comerciante.
Clarice Lispector começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade do Recife, onde passou parte da infância. Falava vários idiomas, entre eles o francês e inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno, o iídiche.
Foi hospitalizada pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela com câncer inoperável no ovário, diagnóstico desconhecido por ela.[carece de fontes?] Faleceu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário. Foi inumada no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro.
"Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém."
Capa da edição original de Paixão Segundo G.H.Em dezembro de 1943, publicou seu primeiro romance, Perto do coração selvagem. Escrito quando tinha 19 anos, o livro apresenta Joana como protagonista, a qual narra sua história em dois planos: a infância e o início da vida adulta. A literatura brasileira era nesta altura dominada por uma tendência essencialmente regionalista, com personagens contando as dificuldades da realidade social do país na época. Clarice Lispector surpreendeu a crítica com seu romance, seja pela problemática de caráter existencial, completamente inovadora, seja pelo estilo solto, elíptico e fragmentário. Este estilo de escrita se tornou marca característica da autora, como pode ser observado em seus trabalhos subsequentes.
Na época da publicação, muitos associaram o seu estilo literário introspectivo a Virginia Woolf ou James Joyce, embora ela afirme não ter lido nenhum destes autores antes de ter escrito seu romance inaugural. A epígrafe de Joyce e o título, inspirado em citação do livro de Joyce Retrato do Artista quando Jovem, foram sugeridos por Lúcio Cardoso após o livro ter sido escrito. Perto do coração selvagem ganhou o prêmio da Fundação Graça Aranha de melhor romance de estréia, em outubro de 1944.
A obra de Clarice ultrapassa qualquer tentativa de classificação. A escritora e filósofa francesa Hélène Cixous vai ao ponto de dizer que há uma literatura brasileira A.C. (Antes da Clarice) e D.C. (Depois da Clarice).
Além de escritora, Clarice foi colunista do Jornal do Brasil, do Correio da Manhã e Diário da Noite. As colunas, que foram publicadas entre as décadas de 60 e 70, eram destinadas ao público feminino, e abordavam assuntos como dicas de beleza, moda e comportamento. Em meados de 1970, Lispector começou a trabalhar no livro Um sopro de vida: pulsações, publicado postumamente. Este livro consiste de uma série de diálogos entre o "autor" e sua criação, Angela Pralini, personagem cujo nome foi emprestado de outro personagem de um conto publicado em Onde estivestes de noite. Esta abordagem fragmentada foi novamente utilizada no seu penúltimo e, talvez, mais famoso romance, A hora da estrela. No romance, Clarice conta a história de Macabéa, uma datilógrafa criada no estado de Alagoas que migra para o Rio de Janeiro e vai morar em uma pensão, tendo sua rotina narrada por um escritor fictício chamado Rodrigo S.M. O livro descreve a pobreza e a marginalização no Brasil, temática que pouco aparece ao longo da sua obra. A história de Macabéa foi publicada poucos meses antes da morte de Clarice.
Clarice verteu para o português, em 1976, o livro Entrevista com o Vampiro, da autora americana Anne Rice.
Ainda jovem, à época esposa de diplomata brasileiro, serviu na campanha da Itália durante a II Guerra Mundial como assistente voluntária junto ao corpo de enfermagem da Força Expedicionária Brasileira.
A primeira edição de Onde estivestes de noite foi recolhida por ter sido colocado, erroneamente, um ponto de interrogação no título.
Em artigo publicado no jornal The New York Times, no dia 11/03/2005, a escritora foi descrita como o equivalente de Kafka na literatura latino-americana. A afirmação foi feita por Gregory Rabassa, tradutor para o inglês de Jorge Amado, Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa e de Clarice.
"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós"
Saramago was born in 1922 into a family of landless peasants in Azinhaga, Portugal, a small village in the province of Ribatejo some hundred kilometers northeast of Lisbon. His parents were José de Sousa and Maria de Piedade. "Saramago", a wild herbaceous plant known in English as the wild radish, was his father's family's nickname, and was accidentally incorporated into his name upon registration of his birth.
In 1924, Saramago's family moved to Lisbon, where his father started working as a policeman. A few months after the family moved to the capital, his brother Francisco, older by two years, died. He spent vacations with his grandparents in Azinhaga. When his grandfather suffered a stroke and was to be taken to Lisbon for treatment, Saramago recalled, "He went into the yard of his house, where there were a few trees, fig trees, olive trees. And he went one by one, embracing the trees and crying, saying good-bye to them because he knew he would not return. To see this, to live this, if that doesn't mark you for the rest of your life," Saramago said, "you have no feeling." Although Saramago was a good pupil, his parents were unable to afford to keep him in grammar school, and instead moved him to a technical school at age 12. After graduating, he worked as a car mechanic for two years. Later he worked as a translator, then as a journalist. He was assistant editor of the newspaper Diário de Notícias, a position he had to leave after the political events in 1975.[2] This is the darkest period of his life. While assistant editor, he fired 24 journalists that demanded more pluralism in the editorial line of the Diário de Notícias.
After a period of working as a translator he was able to support himself as a writer. Saramago married Ilda Reis in 1944. Their only child, Violante, was born in 1947.[2] From 1988 until his death in June 2010 Saramago was married to the Spanish journalist Pilar del Río, who is the official translator of his books into Spanish.
José Saramago didn't achieve widespread recognition and acclaim until he was in his mid-fifties, when his publication of Baltasar and Blimunda brought him to the attention of an international readership.[2] This novel won the Portuguese PEN Club Award.
He became a member of the Portuguese Communist Party in 1969 and remained so until the end of his life.[4] Saramago was also an atheist[5] and self-described pessimist.[6] His views have aroused considerable controversy in Portugal, especially after the publication of The Gospel According to Jesus Christ.[7] Members of the country's Catholic community were outraged by Saramago's representation of Jesus as a fallible human being. Portugal's conservative government would not allow Saramago's work to compete for the European Literary Prize,[2] arguing that it offended the Catholic community. As a result, Saramago and his wife moved to Lanzarote, an island in the Spanish Canaries.
Saramago learned he was to be made a Nobel Laureate in October 1998 when he was about to fly to Germany ahead of the Frankfurt Book Fair.[2] This came as a surprise to him and his Portuguese editor, Zeferino Coelho, recalled: "When he won the Nobel, Saramago said to me, 'I was not born for all this glory.' I told him, 'You may not have been made for this glory, but I was!'".[2] He used his Nobel lecture to call his grandfather Jerónimo "the wisest man [he] ever knew". Despite the award, though, he remained a divisive character in Portugal, both criticised and praised.
Saramago was an unflinching supporter of communism, a fact which dampened his popularity.[3] He was a critic of both the European Union and the International Monetary Fund; however, he stood (unsuccessfully) as a candidate for the European Parliament in the 2009 election.
During a visit to Ramallah in March 2002 during the second intifada, Saramago compared the Palestinian city, which was blockaded at the time by the Israeli army, to the Nazi death camps at Auschwitz and Buchenwald. Holocaust survivors and intellectuals, including some who were themselves highly critical of Israel, condemned Saramago's statement as false and antisemitic. On the same occasion, he opined that "the Jews are unworthy of any more sympathy for their sufferings during the second World War". The Anti Defamation League called the statement antisemitic.
In an article in the Madrid newspaper El Pais (as translated by Paul Berman in The Forward) on April 21, 2002, Saramago wrote that:
"Intoxicated mentally by the messianic dream of a Greater Israel which will finally achieve the expansionist dreams of the most radical Zionism; contaminated by the monstrous and rooted 'certitude' that in this catastrophic and absurd world there exists a people chosen by God and that, consequently, all the actions of an obsessive, psychological and pathologically exclusivist racism are justified; educated and trained in the idea that any suffering that has been inflicted, or is being inflicted, or will be inflicted on everyone else, especially the Palestinians, will always be inferior to that which they themselves suffered in the Holocaust, the Jews endlessly scratch their own wound to keep it bleeding, to make it incurable, and they show it to the world as if it were a banner."
In a speech in Brazil on October 13, 2003, Saramago stated, regarding Jews, that: “Living under the shadows of the Holocaust and expecting to be forgiven for anything they do on behalf of what they have suffered seems abusive to me. They didn’t learn anything from the suffering of their parents and grandparents.
During the 2006 Lebanon War, Saramago signed a statement together with Tariq Ali, John Berger, Noam Chomsky, Eduardo Galeano, Naomi Klein, Harold Pinter, Arundhati Roy and Howard Zinn, condemning what they characterized as "a long-term military, economic and geographic practice whose political aim is nothing less than the liquidation of the Palestinian nation".
Saramago at San Sebastián International Film Festival (holding the Persian translation of his book, Blindness)Saramago's novels often deal with fantastic scenarios, such as that in his 1986 novel The Stone Raft, in which the Iberian Peninsula breaks off from the rest of Europe and sails around the Atlantic Ocean. In his 1995 novel Blindness, an entire unnamed country is stricken with a mysterious plague of "white blindness". In his 1984 novel The Year of the Death of Ricardo Reis (which won the PEN Award and the Independent Foreign Fiction Award), Fernando Pessoa's heteronym survives for a year after the poet himself dies. Additionally, his novel Death with Interruptions (also translated as Death at Intervals) revolves around a country in which nobody dies over the course of seven months beginning on New Year's Day, and how the country reacts to the spiritual and political implications of the event.
Using such imaginative themes, Saramago addresses the most serious of subject matters with empathy for the human condition and for the isolation of contemporary urban life. His characters struggle with their need to connect with one another, form relations and bond as a community; and also with their need for individuality, and to find meaning and dignity outside of political and economic structures.
Saramago's experimental style often features long sentences, at times more than a page long. He uses periods sparingly, choosing instead a loose flow of clauses joined by commas, in clear disrespect of grammar rules. Many of his paragraphs extend for pages without pausing for dialog, which Saramago chooses not to delimit by quotation marks; when the speaker changes, Saramago capitalizes the first letter of the new speaker's clause. In his novel Blindness, Saramago completely abandons the use of proper nouns instead choosing to refer to characters simply by some unique characteristic, an example of his use of style to enhance the recurring themes of identity and meaning found throughout his work.
Saramago died on 18 June 2010, aged 87, having spent the last few years of his life living in Lanzarote, Spain. The Guardian described him as "the finest Portuguese writer of his generation",[18] while Fernanda Eberstadt of The New York Times said he was "known almost as much for his unfaltering Communism as for his fiction". Saramago's translator, Margaret Jull Costa, paid tribute to him, describing his "wonderful imagination" and calling him "the greatest contemporary Portuguese writer".[18] Saramago had continued his writing until his death. His most recent publication, Cain, was published in 2009, with an English translation expected in late 2010. Saramago had suffered from pneumonia a year before his death. Having been thought to have made a full recovery, he was scheduled to attend the Edinburgh Festival in August 2010.
Al Berto, pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares, GCSE (Coimbra, 11 de Janeiro de 1948 - Lisboa, 13 de Junho de 1997), poeta, pintor, editor e animador cultural português.
Nascido no seio de uma família da alta burguesia (origem inglesa por parte da avó paterna). Um ano depois foi para o Alentejo, é em Sines onde passa toda a infância e adolescência até que a família decide enviá-lo para o estalebecimento de ensino artístico Escola António Arroio, em Lisboa.
A 14 de Abril de 1967 foi estudar pintura para a Bélgica, na École Nationale Supérieure d’Architecture et des Arts Visuels (La Cambre), em Bruxelas.
Após concluir o curso, decide abandonar a pintura em 1971 e dedicar-se exclusivamente à escrita. Regressa a Portugal a 17 de Novembro de 1974 e aí escreve o primeiro livro inteiramente na língua portuguesa, À Procura do Vento num Jardim d'Agosto.
O Medo, uma antologia do seu trabalho desde 1974 a 1986, é editado pela primeira vez em 1987. Este veio a tornar-se no trabalho mais importante da sua obra e o seu definitivo testemunho artístico, sendo adicionados em posteriores edições novos escritos do autor, mesmo após a sua morte. Deixou ainda textos incompletos para uma ópera, para um livro de fotografia sobre Portugal e uma «falsa autobiografia», como o próprio autor a intitulava.
Da esquerda para a direita: José Ludovice, Freitas da SIlva, Mª de Luredes Resende, Jaime Magalhães Filpe, AUGUSTO CABRITA, Raul Viana e Lina Maria, em 1951.
Augusto Cabrita
(Barreiro, 16 de março de 1923 - 1 de fevereiro de 1993) foi um fotógrafo, diretor de fotografia e realizador cinematográfico português. Como fotógrafo, foi o autor de capas de discos de Amália Rodrigues, Simone de Oliveira, Carlos Paredes e Luís Góis. Realizou, ainda em 1957 a reportagem da visita da rainha Isabel II a Portugal, e continuou, na década de 1960, com documentários para a incipiente televisão portuguesa. A sua estreia no cinema foi como diretor de fotografia do filme Belarmino, que retrata um jogador de boxe português, Balarmino Fragoso. Tem o seu nome numa escola secundária do Barreiro, cidade onde ainda se encontra o seu estúdio, ainda operado pelo seu filho, Augusto Cabrita Junior.
Mestre de Fotógrafos e Narrador de Amigos
Talvez se possa definir o Augusto Cabrita (no que existe nele de definível) como um ser humano onde se combinam, com umafelicidade extremamente rara, a truculência, a generosidade e a arte do trabalho. Absorve a vida como se lhe fosse pouca - e depois distribui-a, caminheiro, pelas mãos dos outros...
Dinis Machado
Os Dizeres do Olhar...
Nas fotos de Augusto Cabrita, como nos filmes de Augusto Cabrita, não há espaços neutros, vazios, inertes. Está lá, sempre e sempre, essa maneira de olhar e de dizer as coisas que recusa o banimento da criatura humana, mesmo quando a criatura humana (aparentemente) não figura na foto ou no filme... Baptista-Bastos
O Homem que Viveu para Além dos Sonhos ...Através da visão do Augusto Cabrita, nós começamos a compreender que, afinal, a maioria dos artistas não vai para além, mas, muito pelo contrário, fica bastante aquém da realidade - e por isso eu não hesito em considerar esse espantoso fotógrafo, que tive a dita de contar entre os meus melhores amigos, um revelador das verdades esquecidas, ignoradas e nem mesmo sonhadas. A sua verdade transporta-nos para além dos sonhos. António Vitorino d'Almeida
Cinema Improviso sobre o Algarve (curta-metragem, 1960); Macau (curta-metragem, 1961); Viana e o seu Termo (curta-metragem, 1969); Na Corrente (curta-metragem, 1970); A Viagem (curta-metragem, 1970); O Mar Transporta a Cidade (curta-metragem, 1977); Uma História de Comboios - Uma Viagem de Hans-Christian Andersen (1978); Lisboa (1979); Açores, Ilhas do Atlântico (1979);
Livros fotográficos 50 Anos da CUF no Barreiro. Estudios Cor, Lisboa, 1958-59; Portugal, um País que Importa Conhecer, Panorama, Lisboa, 1972; SETENAVE - Estaleiros Navais de Setúbal (sem data); Cozinha Tradicional Portuguesa, de Maria de Lurdes Modesto, fotos de Augusto Cabrita, Verbo, Lisboa, 1982;
Títulos honoríficos 1985 - Comendador da Ordem do Infante D. Henrique; 1986 - Medalhão "Barreiro Reconhecido" (área da Cultura, Artes e Letras); 1991 - Medalha de Mérito Distrital de Setúbal [editar] Prémios Prémio Rizzoli (Prémio Internacional de Fotografia Publicitária), Itália; 1º Prémio de "Melhor Conjunto dos Expositores Nacionais" (1958); Prémio da Crítica (1962); Prémio Nacional de Cinema, pela fotografia do filme "Belarmino" (1964); Troféu "Foca de Ouro - Prémio Laïca", 1º Prémio Internacional de Reportagem de TV, Estado de São Paulo, Brasil (1968); Prémio da Imprensa «Televisão» (1970); Prémio Nacional de Cinema «Aurélio Paz dos Reis», "Realização" (1971); Im:Wikipedia
Se embarcó en Lisboa y, después de una larga travesía y de viajes en ferrocarril, llegó a Leopoldville, la capital del Congo belga. / Foi de Lisboa, a bordo do navio Colonial, que Annemarie partiu rumo ao continente africano.
Annemarie Schwarzenbach: la viajera inconsolable. Su extraña y desgarradora belleza hizo que Thomas Mann la bautizara para siempre como "el ángel devastado", aunque su fuerza también demostró ser devastadora. Arqueóloga? periodista, fotógrafa y novelista, Annemarie registró en sus crónicas y en sus obras de ficción las costumbres, la historia y los paisajes de los países que recorrió (Persia, Afganistán, el Congo Belga, Rusia, los Estados Unidos), así como el espíritu de sus habitantes.
La belleza andrógina del rostro de Annemarie, su inteligencia, enriquecida por una vasta cultura, seducían por igual a hombres y mujeres. El dinero de su poderosa familia le facilitó el conocimiento de los territorios más remotos. En esas comarcas, intentaba hallar el pasaje a "otro mundo", huía de la civilización occidental, de lo que se dio en llamar "la enfermedad de Europa".
Impulsada por su sed de absoluto, Schwarzenbach convirtió su "huida" a otros continentes en una experiencia casi mística, que terminó por destruirla.
Alfred Schwarzenbach, el padre de Annemarie, pertenecía a una familia patricia de Suiza que había forjado una inmensa fortuna en la industria de la seda.
Su esposa, Renée Wille, era una aristócrata alemana emparentada con el canciller Von Bismarck. El matrimonio tuvo tres varones y dos hijas.
Annemarie fue la tercera en nacer, el 23 de mayo de 1908. Para albergar a esa numerosa familia, Alfred y Renée compraron una vasta propiedad, Bocken, cerca de la aldea de Horgen. Renée tenía tres pasiones: los caballos, la música y la mezzo soprano alemana Emma Krüger.
Renée le inculcó a Annemarie su amor por la música y la hija se convirtió en una gran pianista, pero su interés más profundo era la escritura.
La madre no veía con buenos ojos que la chica escribiera porque sentía que así escapaba de su control. No es extraño que el título de uno de los primeros relatos de Annemarie fuera "Cuento de la princesa prisionera".
Como su salud era frágil, cursó la escuela primaria en su hogar y sólo ingresó en un instituto de enseñanza pública en el secundario. Por fin, la muchacha podía salir de su casa. Entonces aprovechó para hacerse escapadas al teatro. Esas travesuras tuvieron un resultado imprevisto: se enamoró de una actriz.
Cuando Renée se enteró, la envió a un pensionado en el que se educaban jóvenes de buena familia.
En 1923, Annemarie ingresó en la Universidad. Los muchachos se sentían impresionados por esa joven alta, aristocrática, inteligente y de rostro angelical.
Ella miraba con cierta condescendencia a sus compañeros porque sólo se ocupaban de frivolidades.
Annemarie, en cambio, aspiraba a ir al fondo de las cosas y encontrarle un sentido a la existencia. Ese sentido sería una señal de Dios, que le permitiría salvarse. Por supuesto, seguía escribiendo.
Hizo un viaje a París hacia fines de 1928 y frecuentó el ambiente de la bohemia, pero también trabajó. Volvió de esa estadía con tres textos: Nouvelle Parisiense I, II y París III.
Sus primeros viajes y los hermanos Mann En 1930 se produjo un encuentro decisivo en la vida de la muchacha. Conoció a Erika y Klaus Mann, los hijos de Thomas Mann, el autor de La montaña mágica.
Los hermanos eran los niños terribles del mundo intelectual alemán. Tenían ideas revolucionarias y se burlaban de las convenciones. Les interesaba el teatro y ponían en escena obras provocadoras.
Annemarie se enamoró de Erika, pero ésta sólo sentía amistad por ella y siempre se comportó respecto de la "princesa Miro" -así la habían apodado los Mann- como una hermana mayor.
Después de que Annemarie terminó su doctorado en historia, en 1931, se publicó su primera novela, Los amigos de Bernhardt, donde retrata la atmósfera de desesperanza y disipación en la que vivía su generación. Bernhardt, el protagonista, es un joven de buena familia que quiere ser pianista y entra en contacto con un ambiente alejado de los ideales burgueses. Entre sus nuevos amigos, la angustia y la falta de valores se resuelve en una ronda amorosa en la que todas las combinaciones son posibles por la indeterminación sexual de quienes participan en ella. El carácter autobiográfico del relato era evidente. Para escapar de su familia, Annemarie logró que el profesor Carl Burckhardt le propusiera ayudarlo a preparar un libro biográfico, lo que la obligó a trasladarse a Berlín.
A comienzos de los años 30, la capital de Alemania tenía la vida nocturna quizá más intensa de Europa. Ese ambiente tuvo un efecto perturbador en la joven. Al principio frecuentó diariamente los clubes y bares de lesbianas donde su belleza andrógina tuvo un éxito imaginable. Por primera vez, sintió que había perdido el control de su vida. Sin ninguna obligación, librada a sí misma, se enajenaba bebiendo o haciendo el amor de un modo promiscuo. Pasada la primera euforia, tuvo una "crisis de nervios" y estuvo a punto de suicidarse.
Annemarie encontraba en la escritura la única manera de combatir la angustia y la sensación de traicionar a su familia que la acosaba cuando quería ejercer su libertad.
Al escribir, el dolor no cesaba, pero encontraba un cauce y le impedía entregarse a actos de los cuales después se arrepentía. Ese sería el molde de conducta de toda su vida. Tenía que poner por escrito sus experiencias, porque era la única manera de escapar del vacío, pero esa tarea en la que debía hurgar en sus sentimientos más profundos para compartirlos con los otros la desgarraba y, al cabo de un tiempo, aumentaba su angustia, lo que la llevaba, en un círculo sin fin, a escribir incesantemente, como alucinada.
En Berlín, Annemarie terminó Nouvelle lírica, donde cuenta el amor desdichado de un joven con una cantante de cabaret. El libro apareció en abril de 1933, en el momento en que el ascenso de Hitler al poder era inevitable. La obra pasó casi inadvertida.
Nadie estaba interesado en un tema tan alejado de la realidad política. Con todo, Anne no se sintió desanimada. Huyendo del horror Después de un viaje a Escandinavia para hacer reportajes destinados a la agencia Akademia, la joven suiza conoció a Mopsa Sternheim, una mujer que conseguía drogas como si se tratara de azúcar.
En noviembre de 1932, Annemarie comenzó a consumir morfina y pronto se convirtió en adicta. Buscaba en los "paraísos artificiales" una manera de paliar la angustia que la devoraba. Por supuesto, sólo lograba agravar el desamparo que la torturaba.
En esos meses, Erika y Klaus, acérrimos militantes antinazis, debieron huir de Alemania porque estaban a punto de ser detenidos. Erika se refugió en Suiza y Klaus se fue a París. El no volvería a pisar su patria sino doce años después. Por entonces, Annemarie comenzó su novela Huida hacia arriba. El protagonista Francis von Ruthern se siente inepto para enfrentar el caos, las traiciones y las mezquindades de la historia, por eso decide irse a vivir a las montañas, el mundo que ama, donde piensa ser útil a los demás y satisfacer su deseo de serenidad. Como una señal del destino, cuando regresa a las cimas, salva a un niño de morir en la nieve. Al igual que el protagonista de su novela, Annemarie no se sentía con fuerzas para luchar contra el mundo "de abajo", es decir contra el nazismo y, sin embargo, tampoco podía desentenderse de lo que pasaba.
Tironeada por esos dos sentimientos, le propuso a Klaus que dirigiera una revista de oposición a Hitler. Así nació Die Sammlung, que duraría dos años y se editaría en Amsterdam. Annemarie fue quien proveyó secretamente los fondos para esa empresa.
Entre los colaboradores del mensuario estaban André Gide, Aldous Huxley, Heinrich Mann, Bertolt Brecht, Joseph Roth, Ernest Hemingway, Albert Einstein y Jean Cocteau.
A mediados de 1933, Annemarie empezó a preparar un viaje a Persia que había postergado. El 12 de octubre subió al Orient-Express. Regresaría siete meses más tarde, después de haber cumplido un itinerario que la llevó hasta Persia.
La extrañeza de los paisajes, de las costumbres, la sumieron en la melancolía y en una sensación de irrealidad. Los desiertos a la luz de la luna se le antojaban imágenes de pesadilla.
Durante ese recorrido bebió, se drogó, se enfermó, dudó de sus conocimientos de arqueología y extrañó Europa.
Para olvidarse de sí misma, por las noches se internaba en los barrios más tenebrosos de las ciudades, frecuentaba prostitutas y se despertaba atontada por el haschich.
Como resultado de ese viaje, escribió Invierno en Medio Oriente, su libro más objetivo, donde evitó volcar su intimidad.
Cuando volvió a Europa, se enteró de que el Tercer Reich le negaba la condición de residente. Convertida en una abierta opositora a los nazis, Annemarie acompañó a Klaus Mann al Primer Congreso de Escritores Soviéticos, en Moscú.
Al principio se entusiasmó con lo que vio, pero pronto le chocaron la sumisión al Partido y el militarismo. Además, no estaba de acuerdo con el realismo socialista que cercenaba el costado "metafísico" de la literatura.
En septiembre de 1934, Annemarie volvió a Persia. Fue a trabajar en una cantera arqueológica. Llevaba una vida ordenada, que la alegraba, pero por la noche la soledad de su cuarto y los ruidos desconocidos la aterrorizaban.
Afortunadamente en la legación francesa de Teherán conoció al diplomático Claude Clarac, segundo secretario de la embajada. Se hicieron amigos inseparables. Él, en realidad, se había enamorado de ella, a pesar de que se sentía más bien atraído por los hombres.
La relación entre ambos progresó de tal modo que Clarac le propuso matrimonio a Annemarie y ella aceptó antes de volver a Europa. Contraerían matrimonio unos meses después.
El 13 de abril de 1935, Annemarie llegó a Beirut donde la esperaba Clarac. De allí partieron a Teherán para casarse.
Cuando llegó el verano, la pareja dejó la ciudad para escapar del calor y se trasladó a las montañas. Vivían en un pabellón del príncipe Fiouz-Mirza, en un lugar paradisíaco. Durante esos meses en Persia, Annemarie escribió un libro de relatos, "La jaula de los halcones", que nadie quiso editar. Más tarde, la autora incluiría algunos de ellos en "Exilios en Oriente". Los protagonistas son europeos que han quedado varados entre paisajes y costumbres que lentamente han carcomido sus voluntades o los han convertido en seres a menudo excéntricos, expuestos al desvarío. La rutina de una esposa de diplomático estaba hecha para irritar a Annemarie. La escritura le servía de consuelo, así como la droga, hasta que en una reunión conoció a una joven persa, Yalé. Las dos se enamoraron. Yalé estaba enferma de tuberculosis y sabía que no viviría mucho. El padre de la muchacha, enfurecido por la pasión de su hija, la encerró en su casa y le prohibió que viera a Mme. Clarac.
Una vez más llegó el verano y Annemarie debió seguir a su esposo al Valle Feliz, entre las montañas. En ese lugar aislado, se enteró de la muerte de Yalé. La historia de ese amor está contado en La muerte en Persia (editado en español), un libro de crónicas y relatos de gran belleza.
La terrible estadía en las montañas quedó registrada en El Valle Feliz. Cuando Annemarie volvió a fines de 1935 a su patria, descubrió con angustia que la mayoría de sus amistades querían dejar el continente o por lo menos Alemania.
Como el trabajo siempre había sido para ella una tabla de salvación, Annemarie resolvió viajar a los Estados Unidos con el fin de hacer notas destinadas a publicaciones alemanas.
Entre septiembre de 1936 y enero de 1938 pasó dos largas temporadas en América. En la primera, hizo una serie de reportajes en ciudades industriales de Pennsylvania. Conversó con negros, blancos, enfermos. Captó con su cámara la mirada desesperanzada de la gente. Después volvió a Europa y se entusiasmó con el proyecto de escribir la biografía del alpinista Lorenz Saladin.
Terminó el libro en poco tiempo y cuando se publicó fue un éxito. En su segundo viaje a los Estados Unidos, Schwarzenbach se ocupó de investigar las condiciones de vida de los obreros agrícolas y los problemas raciales en el Sur.
Escribió entonces artículos de una calidad excepcional.
A mediados de 1938, Annemarie conoció a Ella Maillart, la gran escritora de viajes suiza, de la que había leído Oasis prohibidos. Las nuevas amigas planearon viajar por Afganistán en el Ford de Annemarie. Maillart se dio cuenta desde el comienzo que debería ocuparse de las angustias y la adicción de su compañera, pero pensaba que podría ayudarla.
Las viajeras despertaron curiosidad y cierto asombro escandalizado en Afganistán. Sin embargo, nadie les negó hospedaje y comida.
Después de doce semanas llegaron a Kabul, donde se enteraron del pacto germano-soviético y del estallido de la Segunda Guerra Mundial.
Resolvieran separarse porque esas novedades aceleraban sus proyectos personales. Maillart partió hacia la India, mientras que Annemarie resolvió recorrer el Turkestán afgano. De su viaje con Maillart queda un testimonio apasionante, el libro ¿Dónde está la tierra de las promesas?
Violencia y locura Annemarie volvió a Europa en 1940.
Llegó a un continente devastado por el huracán nazi. Los Schwarzenbach habían perdido las tres cuartas partes de su fortuna. Annemarie se refugió como siempre en Sils.
Una vez más, la casualidad le dio un nuevo rumbo a su vida. Margot von Opel, una de las mujeres más ricas de Europa, esposa del industrial Fritz von Opel, se encontró con la escritora en casa de unos conocidos e inició con ella una relación que Fritz toleraría de mala gana.
Margot le propuso a Annemarie que se fuera con ella a Nueva York.
La tercera estadía de Schwarzenbach en los Estados Unidos estuvo marcada por el dolor, el drama y los escándalos. En Nueva York vivía con los Von Opel en el Plaza Hotel.
Sólo podía escribir si se emborrachaba o se drogaba, pero la mezcla de drogas y alcohol la volvía agresiva y, en una oportunidad, trató de estrangular a Margot.
A pesar del estado de agitación que consumía a Annemarie, una joven novelista de 23 años que empezaba su carrera, Carson McCullers, la formidable autora de El corazón es un cazador solitario, se enamoró de ella (tiempo después le dedicaría Reflejos en un ojo dorado).
Annemarie admiraba el talento de Carson, pero no podía responder a los sentimientos de la muchacha y, además, no quería romper con Margot.
Extrañaba Europa y la suerte de sus amigos, atrapados por la guerra, la sumía en la desesperación. Una noche, mientras Margot dormía, intentó nuevamente estrangularla y, espantada por lo que iba a hacer, empezó a gritar de tal modo que despertó a todo el hotel.
Pocos días después, llegó la noticia de que Alfred Schwarzenbach había muerto. Su hija, enloquecida, trató de suicidarse.
Uno de los hermanos de Annemarie, que vivía en Nueva York, decidió internarla. En la clínica le impedían escribir, por lo que Annemarie tuvo varias crisis de violencia. Aunque estaba estrechamente vigilada, logró escaparse.
Su fuga fue dramática. Caminó kilómetros en el frío. Llamó a un amigo y lo convenció de que la albergara en su departamento, pero desencadenó un escándalo con sus gritos -porque, según ella, nadie la entendía-, se encerró en el baño y se abrió las venas. La internaron en una clínica de White Plains y se le comunicó que sólo podría salir de allí para volver a Europa.
Se la había declarado insana y se la expulsaba para siempre del país.
En Suiza, se enteró de que su madre se hallaba enferma y de que los Schwarzenbach habían resuelto que Annemarie debía dejar Suiza.
Le ofrecieron mucho dinero para que se fuera. Sólo tenía una posibilidad: volver a partir. Esta vez pensó en África.
Se embarcó en Lisboa y, después de una larga travesía y de viajes en ferrocarril, llegó a Leopoldville, la capital del Congo belga.
Lissabon 1941
Como esposa de diplomático, la alojó el cónsul de Suiza. Pero comenzaron a correr rumores que la perjudicaron. Se decía que era una espía del Tercer Reich. Annemarie resolvió entonces abandonar la ciudad. Había oído hablar de un suizo de apellido Vivien, cuya plantación estaba en Molanda, en la selva ecuatorial. Se le ocurrió que ése era un tema interesante para los lectores suizos. Se puso en camino. Llegó a Lisala, el lugar que Conrad describió en El corazón de las tinieblas.
Allí esperó doce días hasta que un coche la llevó a la plantación de los Vivien, la más importante del Congo. Esa inmensa propiedad era dirigida por Mme.Vivien, que había quedado sola después de que su marido, gravemente enfermo, regresó a Europa.
Ella era una mujer enérgica, protectora y muy tierna. Hospedó a Annemarie en una casa espaciosa.
Lejos de toda distracción, Schwarzenbach escribió quince artículos, dos textos poéticos y uno de prosa, pero como siempre la escritura la dejaba en carne viva.
La señora Vivien se dio cuenta de lo que le pasaba a su huésped y le propuso acompañarla en un viaje por el continente africano. La escritora aceptó. Durante los meses que Annemarie vivió bajo la protección de la señora Vivien, escribió El milagro del árbol, la historia de amor de un hombre y una mujer que, para respetar la independencia de sus almas, resuelven separarse.
Una vez terminada la novela, Annemarie se embarcó rumbo a Europa.
Ya en Suiza, se instaló en la Jägerhaus de Sils. Había llegado a aceptar que nunca estaría del todo curada de su adicción, pero que eso no importaba, siempre podría renacer.
El 6 de septiembre de 1942 iba en un coche a caballo hacia Saint-Moritz, se encontró con una amiga montada en una bicicleta y acordaron intercambiar los vehículos. Annemarie, para probar que no había perdido su destreza, se lanzó cuesta abajo sin tomarse de los manubrios, como acostumbraba hacer en la niñez. Chocó con un obstáculo, voló por el aire y su cabeza dio contra una piedra. Nunca recuperaría por completo la lucidez.
El 15 de noviembre de 1942 murió en Sils como consecuencia del accidente. Hoy, sus textos permiten tener una visión lateral, pero estremecedora, del espíritu de una época y de las angustias de una generación.
Son testimonios de que el mundo había estallado en fragmentos y de que cualquier intento de huir, y no de enfrentar esa catástrofe, sólo podía terminar en tragedia o en una inútil inmolación a un dios silencioso y ausente.
Diz-se que depois do fatídico Verão, de 1942, Annemarie pretendia estabelecer-se em Portugal. Henri Martin, embaixador da Suíça em Lisboa e amigo de longa data, convidou-a para ficar na capital portuguesa como correspondente do jornal Neue Zürcher Zeitung. A própria admite a ideia numa carta a Ella Maillart: “Talvez regresse a Portugal para viver no campo (…)”. Portugal era para si um país “acolhedor”, surgia-lhe como um lugar privilegiado para “estar em contacto com a mentalidade e os problemas” que assolavam a Europa. Talvez fosse o lugar escolhido para continuar a procurar aquilo que nunca soube identificar, aquilo que nunca encontrou. O lugar escolhido para o fim da aventura. Não podemos saber.
obra:
Lyrische Novelle Bei diesem Regen Jenseits von New York Freunde um Bernhard Muerte en Persia (Tod in Persien) Auf der Schattenseite Flucht nach oben Alle Wege sind offen Winter in Vorderasien Unsterbliches Blau Wir werden es schon zuwege bringen, das Leben
Fala devagar e baixinho, fechando os olhos no final das frases antes de convocar um silêncio breve. Entusiasma-se quando fala do filho de quatro anos e a sua linguagem muda para um registo quase poético - "tem um cabelo cor de mel e aqueles olhos verdes", "é a minha obra-prima".
O resto da conversa é livre de metáforas, com os pés bem assentes na terra.
Tal como "Assim Se Esvai a Vida", novo livro de Urbano Tavares Rodrigues, escritor de 86 anos que afirmava em 2008 ter publicado o seu derradeiro livro.
Disse que "A Última Colina" poderia ser o seu romance final.
Já não me atrevo a dizer essas coisas, até porque tenhooutro romance quase pronto. Este ano ainda quero publicar o sexto volume das obras completas.
É o seu livro mais autobiográfico. Porquê expor-se assim agora?
Comecei a escrever uma espécie de diário e a escrita soltou-se, nunca pensei que pudesse ir tão longe. A certa altura dei por mim a falar de mim como nunca falei, caiu completamente a máscara social.
Teve algumas reacções de gente que já o leu?
Algumas delas muito boas. O Mário Cláudio escreveu-me uma longa carta a dizer que teme que o livro não seja lido por muita gente, mas é uma obra com muito alcance. Outra amiga minha disse "não é dos teus livros que eu gosto mais". Eu percebo porquê: tem muitas vezes a palavra "fodido". O protagonista da primeira parte do seu livro é um antifascista e um conquistador. Duas características que lhe são atribuídas.Um conquistador é um homem de olhar frio que colecciona mulheres, isso eu nunca fui. O Felisberto Roxo, personagem inspirado nas minha vida, anda aos encontrões na vida e as mulheres são acasos. Às vezes é só sexo, raras vezes encontra realmente o amor. Tem, no entanto, um grande coração.
Como encara o envelhecimento?
É doloroso. Tenho um glaucoma na vista que me diminui muito a visão, só posso ler com esta luz [aponta para um candeeiro de mesa]. Agravou-se também a minha doença do coração a um ponto extremo. Felizmente ainda consigo ter vida sexual: a libido diminui mas ainda tenho desejo e prazer. E isso é bom, ajuda a passar melhor os dias.
Disse numa entrevista, há cerca de três anos, que esperava tranquilamente pela morte. Mantém essa paz?
Não, nada disso. Agora inquieta-me o meu filho [António, de quatro anos]. Penso em como lhe vou fazer falta, não sei como vai ser a vida dele sem mim. Claro que a minha mulher tem possibilidades de o sustentar, mas a vida dele sem mim assusta-me. Tive uma filha com a Maria Judite de Carvalho, dei-lhe muito carinho mas não é a mesma coisa. Agora tenho mais tempo para o ver crescer, é uma coisa impressionante: inteligentíssimo, com uma série de talentos e curiosidades. Gosta de desenhar, tem uma grande sensibilidade artística ao mesmo tempo que é óptimo a jogar à bola. Faz puzzles que eu não consigo fazer. Desmonta brinquedos, mas também estraga.
Preocupa-o como o seu filho o vai recordar?
Tenho um texto escrito já há um tempo que se chama "Meu António Querido, quando fizeres dez anos vais ler estas palavras". Ocupa uma folha e explica quem eu fui, como eu gostava que ele me visse e como eu gostava que ele fosse. Para já está tudo bem, excepto que eu sou benfiquista e ele não.
Um dos temas recorrentes deste livro, e de toda a sua obra, é a luta antifascista. Ficou ressentido com algumas pessoas. Tentou fazer ajustes de contas?
Não. Isso não está na minha natureza. Só se tivesse encontrado na rua o comandante da legião portuguesa que me esmurrou e partiu o maxilar, aí dava-lhe um soco. Fiquei-lhe com uma raiva particular. Ia a entrar para o meu carro e fui cercado, depois de um comício. Andei à pancada com eles, eles também levaram murros e pontapés. Mas depois levei, levei, levei até cair.O seu comunismo manteve-se inquebrável?Sempre, apesar de ter tido grandes discussões com oCunhal, por exemplo. Disse-lhe que devíamos denunciar a tortura e as coisas que se faziam na União Soviética mas ele insistiu que não. Dizia "Urbano, nós somos nós, denunciar isso é só dar armas aos EUA, o inimigo da humanidade". Não me convenceu. Ele dizia que eu era comunista apenas de coração, e não de cabeça.
Sei que deixou as suas propriedades no Alentejo aos camponeses. Porquê?
Depois do 25 de Abril, quando começou a reforma agrária, eu e o meu irmão entregámos as terras aos trabalhadores alentejanos. Foi um gesto romântico, separei-me de uma casa da qual tinha um amor profundo. Foi um gesto carregado de ideologia também.Se não fosse isso era hoje um homem rico. Mas não quero saber. Fiz aquilo que achava certo e coerente com as minhas convicções.
De onde vêm essas convicções?
O meu pai foi director de jornal e deputado do partido da esquerda republicana - era o que hoje se chamaria um socialista de esquerda. Tinha um cão chamado Carmona e outro chamado Salazar para o poder insultar à vontade. Era muito amigo dos homens da Guerra de Espanha. Para além disso a minha infância no Alentejo importou: foi lá que me apaixonei pela natureza e aquele povo. Os meus primeiros amigos eram todos de lá. A pouco e pouco fui compreendendo a miséria deles, a dor, as expectativas que tinham - ou não tinham. Desde pequeno comecei a desejar uma sociedade igualitária, mas era católico nessa altura e as duas coisas estavam ligadas. Só quando deixei de abandonar o catolicismo, a minha consciência se tornou revolucionária.
Nasceu em Évora, num meio humilde. Professou na Ordem dos Franciscanos, na sua cidade natal, até ter optado por abandonar a vida de clausura.
De Évora parte para Lisboa, onde o seu talento com as palavras o torna conhecido na zona lisboeta do Chiado. Segundo as descrições, seguiu uma vida de celibato, vestindo-se sempre com um hábito clerical. Durante a sua vida gozou de grande popularidade não só por ser poeta mas também por ser um exímio improvisador e imitador das vozes e de gestos de figuras conhecidas dessa época, sempre junto aos seus hábitos. Faleceu em Lisboa, em 1591.
Não se têm dados exactos de todas as publicações de Chiado. Sabe-se que deixou muitos manuscritos como os seguintes: Autos (segundo o estilo de Gil Vicente, há menção a edições publicadas ainda em vida mas sem registos) Auto de Gonçalo Chambão; Auto da Natural Invenção. Os seguintes autos foram encontrados juntos, num livro de miscelâneas: Pratica de oyto feguras, Faria & Payua moços, Ambrosio da gama, Lopo da silueira, Gomez da Rocha fidalgos, Negro capelã, Ayres galuam; Auto das regateyras per Antonio Ribeyro. Pratica de treze figuras, Velha, Briatiz, Negra, Comadre, Pero Vaz, Noyuo, May, Ioã Duarte, Afonso Tome, Frenã Dãdrade, Gomez Godinho, Brimanesa; Pratica dos compadres, Fernam dorta, Brasia machada, Isabel, Vasco Lourenço, o compadre, Siluestra, Moço, namorado, a comadre, caualeyro Esteuam : auto terceiro.
Outras obras Philomena dos Louvores dos Santos com Outros Cantos Devotos; Letreyros muyto sentenciosos, os quaes se acharam em certas sepulturas de Espanha; Letreyros muyto sentenciosos... e hua regra spiritual que elle fez ao Geral de S. Francisco, e assi hua petiçam... ao Commissayro, e a resposta do Geral, feita por Affonso Alveres (Uma regra espiritual que fez ao Geral de S. Francisco, uma petição que fez ao Comissário, e a reposta do Geral, feita por Afonso Alvares). O seu génio como poeta é mencionado por Camões, num dos versos do Auto de El Rei Seleuco.
No coração da Baixa de Lisboa, junto ao Bairro Alto, encontra-se a zona do Chiado. Nela está a estátua do poeta homónimo, inaugurada a 18 de Dezembro de 1925, por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, para homenageá-lo. A estátua, de bronze, é da autoria de Costa Mota (tio) e a base, em pedra de lioz, de José Alexandre Soares. Nela se vê a representação do poeta sentado num pequeno banco, envergando um hábito de monge, sorrindo com escárnio, numa posição arqueada, de convite. Está situada entre as estátuas de nomes grandiosos da literatura portuguesa ([Fernando Pessoa], Eça de Queiróz e Camões), num largo rodeado de igrejas, teatros e livrarias, facto que levou alguns intelectuais da época a oporem-se veementemente à localização escolhida.
Recebe-me na sua habitação, com a família, em Sobral de Monte Agraço: é uma casa de amplas vistas sobre uma paisagem estremenha, com os seus característicos montes e vales onde agora os enormes geradores eólicos, substituem os antigos e castiços moinhos a vento. José Frederico Bravo de Drummond Ludovice nasceu em Belém, Lisboa, a 3.12.1919 e viveu 17 anos na cidade do Lubango, Sul de Angola, onde construiu interessantes e originais obras.
É descendente do famoso arquitecto alemão *Johann Friedrich Ludwig conhecido em Portugal como João Frederico Ludovice (nascido na Baviera em 1670 e falecido em Lisboa em 1752), autor de importantes projectos da época joanina - Convento de Mafra, Palácio de S.Pedro de Alcântara (actual solar do Vinho do Porto), Capela Mor da Sé de Évora).
Formou-se em Arquitectura Escola de Belas Artes de Lisboa em 1953, com o mestre Cristino da Silva, recebendo a classificação de 18 valores com a Tese final sobre um complexo para um Seminário Maior, tema que escolheu por curiosidade e gosto por aprender temáticas diferentes, concebido com desenho moderno e ousado (torre, volumetrias abstractas). Músico intuitivo, Ludovice concebeu em 1951 o hino "Europa em Marcha", cuja partitura foi adoptada pela NATO em 1952 como "Atlantic Hymn". Trabalhou depois para a Câmara Municipal de Lisboa, construindo três elegantes pavilhões como equipamentos para parques (dois em Monsanto e dois no parque Silva Porto, em Benfica), com estrutura de betão e pérgolas, dentro do gosto leve e dinâmico dos anos de 1950. Construíu igualmente habitações em Sines, onde trabalhou no Plano de Urbanização da vila.
Com espírito de aventura, Ludovice partiu em 1958 para a cidade de Sá da Bandeira, actual Lubango, onde laborou como professor do Ensino Técnico e Liceal em Desenho, e na secção local da Universidade de Luanda, em matemática, entre 1970 e 1975.
Foi dos poucos arquitectos radicados na região, provendo à concepão de equipamentos e à concepção de planos de Urbanização. (Foi arquitecto privado da Câmara desde 1968). Ludovice concebeu alguns dos mais originais objectos arquitectónicos do Lubango, os quais viriam a ser emblemáticos da urbe e de seus arredores.
Trata-se de um conjunto coerente de pequenos monumentos modernos, aos quais a sensibilidade fina e «musical» do seu autor, deu um sentido de leveza e alguma espiritualidade, como o Pórtico-Esplanada para a Senhora do Monte (topónimo de origem islenha, lembrando o monte funchalense), de 1962, cuja silhueta dinâmica, em viga de betão curva, nasce de uma geometria regrada em planta:
a entrada pórtico em betão, de sentido estrutural e expressão elegante, para o recinto da Feira, com o respectivo Pavilhão de Exposições – uma obra de conjunto, com desenho de amplo arco encastrado em pilares, que também porticam o Pavilhão;
os Arcos da cidade, no Parque da Senhora do Monte (cuja capelinha votiva também recuperou) e o Monumento ao general João de Almeida,1963:
Na cidade edificou ainda a sua casa própria (moradia onde desenhou tudo, até o mobiliário) e, nos arredores concebeu uma pequena obra mista em betão e madeira, o pavilhão restaurante da Pousada da Leba na Tundavala em 1962 –onde os construtores locais lhe ensinaram o uso dos pilares na resistente madeira regional, cuja seiva era auto-protectora contra os infestantes (utilizada na ampla varanda frontal do edifício).
Trabalhou igualmente em diversos equipamentos e conjuntos industriais e infra-estruturais, no Lubango e em Luanda, como as instalações da Casa Inglesa e as instalações fabris Lupral, ambas no Lubango e a fábrica de montagem de camiões Izuzu, em Luanda. Ainda de referir a concepção das instalações da Mercedes Benz e da Central de Camionagem EVA. No campo infra-estrutural, mencione-se a estação Gare de Serpa Pinto, actual Menonge e os apeadeiros e casas para trabalhadores na linha férrea para Moçâmedes, hoje Namibe. A concepção, implementação e construção novos centros urbanos era um processo activo nas décadas de 1960-70 em Angola e Moçambique. Ludovice participou amplamente nesta gesta, como urbanista, tendo desenhado os planos urbanísticos para Vila de Santo António do Zaire, actual Soyo, (no extremo Norte do território),Caluquembe, Vila da Ponte, Porto Alexandre, actual Tombua, (na costa Sul de Angola), Quilenges, Matala (antes Vila Paiva Couceiro),Vila Roçadas, hoje Xangongo, (no Sul Interior) e Vila Pereira d´Eça ( actual N´giva ou Ondjiva, (perto da fronteira Sul),Nauila e Humbe – núcleos estes na sua maioria concretizados. Se analisarmos a sua localização geográfica, verificamos constituírem o gérmen de uma autêntica primeira rede proto-urbana em toda a área a Sul da cidade do Lubango, ao longo do Cunene e até ao Cuando-Cubango. Hoje retirado, tendo escolhido a paisagem do Sobral para residência (ao que diz, pelo que lhe recorda África), Ludovice rememora-nos episódios, personalidades, amigos, toca-nos composições no seu piano. O filho, Leopoldo Ludovice, organizou cuidadosamente a documentação profissional do pai ( além de ter investigado toda a biografia e obra do ascendente, o arquitecto, setecentista) e prepara uma exposição evocativa, numa homenagem em vida que Frederico Ludovice, o afável arquitecto, poeta e músico, bem merece. Texto:Arquitecto José Manuel Fernandes(Faculdade Belas Artes de Lisboa) 17 Dezembro 2005 Actual/Expresso
Nur die Gedanken, die mir während meines Spaziergangs einfallen, haben Wert.
"Só os pensamentos que me ocorrem durante o meu passeio têm qualquer valor." F.Nietzsche
Viajantes
Enquanto ignorares a distinção entre o evitável e o desejável, o necessário e o supérfluo, o justo e o injusto, o moral e o imoral — nunca serás um viajante, mas apenas um ser à deriva.
Séneca Para poder examinar de longe a nossa moralidade europeia, para a medir pelo escalão de outras moralidades passadas ou futuras, é preciso fazer como um viajante que quer conhecer a altura das torres de uma cidade: para isso, deixa essa cidade.
Friedrich Nietzsche
VIAGENS
Mesmo a maior viagem começa onde se está parado. Lao-Tzu " viagem, de deslocação: a gente provoca o corpo a empurrar a estrada pelos olhos. " Ondjaki
O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já. José Saramago
Não há melhor fragata do que um livro para nos levar a terras distantes. Emily Dickinson
Depois de termos procurado em vão um país de adopção, restringimo-nos à morte, para, nesse novo exílio, nos instalarmos como cidadãos. E.M.Cioran
Viajar não faz bem apenas aos homens, também é bom para os próprios percursos ter homens que os percorram. Um caminho é como uma casa, é preciso abrir a janela de vez em quando para que o ar circule. Precisa de ser arejado o caminho e os homens que o percorrem são os que utam esse ofício. São os homens e as mercadorias que conservam a estrada. Canto V, 10
Gonçalo M Tavares
E que outro proveito tirar da viagem?
Aqui estou sem enfeites. Cidade cujas tabuletas não sei ler, caracteres estranhos a que nada de familiar se prende, sem amigos a quem falar, sem distracção, enfim.
Albert Camus
Gostava de estar no campo para poder gostar de estar na cidade.
Fernando Pessoa
Perhaps I am not allowed to remain too long in one place; there are people who can acquire a sense of home only when they are traveling.
Franz Kafka
Sou daquelas pessoas que no fundo não suportam nenhum lugar do mundo e só são felizes entre os lugares de que partiram e para onde se dirigem.
Thomas Bernhard
Uma coisa é ser um desenraizado no seu país, outra no estrangeiro, onde se pode encontrar a pátria no desenraizamento.
Imre Kertész
O valor das cidades modernas está em incentivarem em nós o desejo de felicidade dos que sabemos que nelas viveram e que sobre elas sentiram e amaram.
Eduardo Prado Coelho
Uma cidade é um mundo se amarmos um dos seus habitantes .
Lawrence Durrell
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de cores garridas, traço seguro
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It's been about a year since I signed the contract to produce this book, so
imagine how it feels to see it go off to press! Thanks to all the urban
sketc...