A feminista simpatizou de imediato com Lou, reconhecendo-se nela quando jovem. Lendo os poemas que Lou lhe mostrou, comentou: "Grandes tarefas a esperam, falaremos disso muitas outras vezes".
Na casa de Malwida, Lou conheceu Paul Rée, que lhe causou certa impressão.

Em julho, Lou deixou Stibbe e se dirigiu para Bayreuth, onde Malwida a esperava para juntas assistirem ao festival.
Ao deixar Tautenburgo, Lou entregou a Nietzsche um poema que havia escrito meses antes. Este texto foi musicado pelo filósofo.

Claro, como se ama um amigo
Eu te amo, vida enigmática –
Que me tenhas feito exultar ou chorar,
Que me tenhas trazido felicidade ou sofrimento,
Amo-te com toda a tua crueldade,
E se deves me aniquilar,
Eu me arrancarei de teus braços
Como alguém se arranca do seio de um amigo.
Com todas as minhas forças te aperto!
Que tuas chamas me devorem,
No fogo do combate, permite-me
Sondar mais longe teu mistério.
Ser, pensar durante milénios!
Encerra-me em teus dois braços:
Se não tens mais alegria a me ofertar
Pois bem – restam-te teus tormentos.
"Como sua amizade é mirrada, ao lado da do amigo Rée! Como você é desmunida de respeito, de gratidão, de piedade, de polidez, de admiração – pudor – sem falar de coisas mais elevadas. Que responderia se eu lhe perguntasse: você é corajosa? É incapaz de traição? Não tem consciência de que um homem como eu, junto de você, deve fazer grandes esforços sobre si mesmo? Eu poderia facilitar as coisas em minhas relações com você: mas já fiz muito esforço sobre mim mesmo, com relação a muitas coisas, e me acredito ainda capaz disto: lhe ser útil, mesmo se você me prejudica. Você tem em mim o melhor dos advogados, mas também o mais impenitente dos juízes. Quero que você julgue a si própria e fixe, você mesma, seu castigo. Minha cara Lou, tome cuidado! Se eu afasto você de mim agora, será uma terrível censura de todo o seu ser! Você esteve em contacto com um dos homens mais indulgentes e mais bem intencionados: mas note bem que o nojo é para mim um argumento suficiente contra todos os pequenos egoístas e todos os pequenos fruidores. Sou vencido pelo nojo mais facilmente do que as pessoas o crêem. Mude de opinião, volte a você mesma! Nunca me enganei sobre ninguém: e há em você esta aspiração a um egoísmo sagrado que é uma aspiração à obediência com relação ao que há de mais alto – e você a confundiu, em razão de não sei que maldição, com seu contrário, o apetite ladrão do gato, da vida unicamente pelo amor da vida. Quem poderá ainda frequentar você, se você solta o freio a todos os traços mesquinhos de sua natureza! Você prejudicou, você fez mal – não somente a mim mas a todos os que me amavam – esta espada está suspensa acima de sua cabeça."
Lou, um ano depois da partida do amigo, registrou em seu diário sobre a falta que Rée lhe fazia. Sonhava sempre com ele e chorava.
"Ontem ao meio-dia havia bastante sol para dourar todo um reino – mesmo um reino pobre e não muito pequeno. Mas o ouro apenas não basta. Eu estava muito triste. Errei, algumas rosas na mão, pela cidade e à entrada do jardim inglês, para lhe oferecer estas rosas. Sim, em vez de as depositar diante da porta de chave dourada, carreguei-as comigo por toda a parte, tremendo com a necessidade de encontrá-la em algum lugar. Entretanto, foi mais ou menos quando se joga uma carta ao mar, para que as vagas a conduzam até as margens do amigo para quem se destinou. A carta está certa de se perder ao largo e afundar. O mesmo com minhas rosas. Ao meio-dia, quando abandonei estas buscas e vi o rosto triste das pálidas flores, a angústia dolorosa da solidão me invadiu."
A abundante correspondência entre os dois só terminou com a morte de Rilke: 134 cartas e bilhetes de Rilke e 65 de Lou. A passagem de Lou na vida de Rilke foi de fundamental importância para o crescimento do poeta – ela lhe ensinou a buscar a essência das coisas. E Lou, pela primeira vez em sua vida, encontrou um homem que a atraía intelectualmente e fisicamente.
Depois de dois meses, o trio retornou para a Alemanha. Mas, a experiência da viagem foi tão marcante, que nova viagem à Rússia aconteceu um ano depois, desta vez sem a presença de Andreas. Rilke sentiu o amor pelo país de Lou mais vivo. Reencontraram Tolstoi, mas desta vez este mostrou-se distante, inclusive criticando negativamente a poesia. Atravessaram o país, vendo paisagens encantadoras. Eram recebidos por camponeses, que davam lições de simplicidade, absorvidas com prazer por ambos. Tentaram rever a família de Lou em São Petersburgo, mas estavam na residência de verão, na Finlândia. Lou decidiu partir para a Alemanha e deixou Rilke sozinho na cidade natal. Na verdade, Lou estava um pouco apreensiva com os estranhos acessos de depressão e exaltação de Rilke. Sentia que o poeta deveria conquistar sozinho o domínio de si mesmo.Longe de Lou, Rilke resolveu passar algumas semanas na casa de um amigo. Foi quando conheceu Clara Westhoff, uma escultora aluna de Rodin. Ele a pediu em casamento, surpreendendo Lou, que lhe escreveu uma carta alguns dias antes das núpcias. "Agora que tudo é sol e calma ao redor de mim e que o fruto da vida conquistou sua redondeza madura e doce, a lembrança que nos é certamente ainda cara a nós dois daquele dia de Waltershausen, em que vim a ti como uma mãe, me impõe uma última obrigação (...) Se te aventuras livre no desconhecido só serás responsável por ti mesmo".
Pouco depois, recebeu o seguinte poema escrito por Rilke:
"Permaneço no escuro como um cego
Porque meus olhos não te encontram mais
A faina turva dos dias para mim não é mais que uma cortina que te dissimula.
Olho-a, esperando que se erga esta cortina atrás da qual há minha vida a substância e a própria lei da minha vida e, apesar disso, minha morte.
Tu me abraçavas, não por desrazão mas como a mão do oleiro contra o barro
A mão que tem poder de criação.
Ela sonhava de algum modo modelar – depois se cansou, se afrouxou deixou-me cair e me quebrei.
Eras para mim a mais maternal das mulheres, eras um amigo como são os homens, eras, a te olhar, mulher realmente, mas também, muitas vezes, criança.
Eras o que conheci de mais terno e mais duro com que tenho lutado.
Eras a altura que me abençoou – te fizeste abismo e naufraguei."
Essas experiências levaram Lou a reflectir sobre o amor e o sexo.






