A consagração suprema ser-lhe-ia dada porém, em 1750, por D. José I, que o nomeou Arquitecto-Mór do Reino, com a patente de Brigadeiro. No decreto de nomeação referem-se os serviços prestados “ tanto no Reino como fora dele”, pelo que é de presumir que a sua acção se tenha estendido também ao Brasil.
João Frederico Ludovice, coberto de prestigio e rodeado de grande consideração, faleceu em Lisboa a 18 de Janeiro de 1752, na Rua Larga de São Roque, onde residia então, e foi sepultado na Igreja de São Roque como consta na sua certidão de óbito, (numa cripta que existe na sacristia)
O mesmo Johann Friedrich Ludwig, que se julgava, por parte da sua família Suábia, emigrado para a América, era considerado desaparecido na sua terra natal, em S.Hall, uma vez que, após o ano de 1700, não houvera notícias suas.
Depois do falecimento de sua mãe, Elisabetha Rosina, no ano de 1729, os consideráveis bens da mesma, e por virtude de um vasto testamento ainda hoje depositado no Arquivo de S.Hall, foi distribuído em partes iguais, entre os filhos, ficando porém o quinhão de João Frederico Ludovice, de parte sob administração.
Ao fim de 30 anos de ser dado como desaparecido, em 18 de Janeiro de 1734, por decisão do Conselho de Hall, é considerado como morto, e a sua parte distribuída pelos restantes irmãos.
REGIUS ARCHITECTUS O Arquitecto-Ourives, João Federico Ludovici, um estrangeiro que fez de Portugal a sua Pátria .
El-Rei D.João V, acumulou de honras e encheu de riquezas o Artista benemérito, que levantou Portugal na Arquitectura e Escultura, da prostação em que jazia, o Arquitecto Ourives João Federico Ludovici . Tratando-o já em 1718, com as obras da Sé de Évora, como REGIUS ARCHITECTUS -IONNES FEDERICUS LUDOVISIUS.
Também El-Rei D.José I, remunerou Ludovici, em Dezembro de 1751, passando a transcrever :
Tendo consideração à grande capacidade, inteligência, e préstimo, com que serviu de Arquitecto a El-Rei meu Senhor, e Pai pelo tempo de quarenta e três anos, João Federico Ludovici, debuxando plantas profis e ornatos e fazendo modelos para as principais obras que o mesmo Senhor mandou fazer, assim neste Reino como fora dele, não só com aprovação e louvor dos maiores Artífices da Europa, mas com tal acerto e esplendor, que executados mostram bem a magnificência e grandeza de quem mandou fabricar e instruíndo as que fizeram nestes Reinos com tal direcção e actividade aos operários que à sua doutrina se deve o grande adiantamento, com que neles se acham presentemente as Artes e a continuar o mesmo exercício no seu serviço, que confio dele cumprirá muito à minha Real Satisfação: Porque a muitos Arquitectos civis, em que não concorreram as mesmas circunstâncias, nem serviram tanto nem com tanto préstimo, como o dito João Frederico Ludovici, se tem dado patentes de postos Militares, sem que houvessem servido militarmente, e ser de minha ReaL intenção ao honrar, e adiantar os homens, que se distinguem relevantemente nos empregos do meu Real serviço : Hei por bem fazer-lhe mercê de o nomear Arquitecto Mor deste Reinos, com a Patente e soldo de Brigadeiro de Infantaria que haverá na primeira Plana da Corte, e que todos os mais Arquitectos Civis lhe sejam subordinados, obedeçam e aguardem suas ordens no que tocar ao seu serviço; com declaração que falecendo o dito João Federico Ludovici, se extinguirá o dito cargo de Arquitecto Mor, sem que haja de servir de exemplo a outra Alguma pessoa . O Conselho Ultramarino o tendo assim entendido, e pela parte que lhe toca o fica executado, Lisboa, catorze de Setembro de Mil Setecentos e Cinquenta.
Com a assinatura de Sua Majestade
Rei D.José I
El-Rei D.João V, que desejava do intimo do coração o adiantamento e esplendor das Artes, e que se esforçou para conseguir, sabia que em tais assuntos todo o esforço é inútil, se não vem o prémio moral e material estimular os artistas. Como Rei, a quem a posteridade concedeu com justiça os epithetos de Magnânimo e Protector das Artes, a acumulou de honras e encheu de riquezas o Artista benemérito, que levantará portugal na arquitectura e escultura da prostração vergonhosa em que jaziam, o Arquitecto Ourives, João Federico Ludovici .
Também El-Rei D.José I em Dezembro de 1750, apenas alguns meses depois de empunhar o ceptro, remunerou Ludovici, fazendo-o Arquitecto-Mór do Reino, com Patente, soldo e graduação de Brigadeiro de Infantaria na primeira Plana da Corte ; e declarando no decreto que lhe fazia esta mercê ”pela grande capacidade com que servira por tempo de 43 anos ao Senhor Rei D.João V, desenhando e fazendo modelos com tal acerto que, executados, deixam ver a magnificiência de quem os mandará pôr em execução; e instruindo os operários empregados em tais obras com tanto zelo que à sua doutrina se deve o grande adiantamento em que se achavam as Artes “ n’ estes Reinos “ .
“Esta nomeação feita ao artista octogenário já não era um prémio dos seus serviços . Tinha outra significação mais nobre e mais elevada . Era o galardão desinteressado concedido ao mérito . Era a coroação de louros com que o representante coroado de um povo agradecido cingia a fronte do artista insigne na sua despedida do mundo . Era em fim a luz da glória projectando esplendores sobre uma campa ainda vazia, e ao mesmo tempo, iluminando o caminho aos novos adeptos para o Templo das artes”.
( Vilhena de Barbosa - Estudos Históricos e Arqueológicos Tomo II )
“ Era homem de grande vontade e maior entendimento. Chegou a ser tão estimado de D.João V, que até lhe baptizou um filho e tratava-o por compadre .”
( Visconde de Sanches de Baêna, 1881 - O Notável Architecto
da Basilica Real )
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