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Freitag, 31. Juli 2009

seitens der Städte.. CAMBRIDGE: Erasmo

CAMBRIDGE 2009
Kino:G.Ludovice



Erasmo de Roterdão (retrato de Hans Holbein, o Jovem.

Desiderius Erasmus Roterodamus, conhecido como Erasmo de Roterdão (português europeu) ou Roterdã (português brasileiro) (27 de Outubro de 1466 Roterdão12 de Julho de 1536, Basiléia) foi um teólogo e um humanista neerlandês.


Nasceu em Geert Geertsen, em Roterdão, Holanda do Sul, Países Baixos. Acreditava (erroneamente) que a raiz da palavra Geert tivesse origem em begeren ("desejar") e traduziu isto para o latim e para o grego. A informação sobre a sua família e sobre a sua juventude é vagamente referida nos seus escritos. Ele era quase seguramente filho ilegítimo. O seu pai foi um padre chamado Gerard. Pouco se sabe sobre a sua mãe para além do nome: Margarete. Apesar de ilegítimo, os seus pais tomaram conta dele até às suas mortes prematuras, com a peste negra, em 1483. Nessa altura a sua educação ficou a cargo de uma série de mosteiros, e foi uma educação exemplar, a melhor possível a um jovem do seu tempo.

Erasmo, com efeito, cursou o seminário com os monges agostinianos e realizou os votos monásticos aos 25 anos, aproximadamente. Contudo, diz-se que nunca viveu como tal, sendo inclusive um grande crítico da vida monástica e das características que julgava negativas na Igreja Católica.

Frequentou o Collège Montaigu, em Paris, e continuou os seus estudos na Universidade de Paris, então o principal centro da escolástica, apesar da influência crescente do Renascimento da cultura clássica, que chegava de Itália. Erasmo optou por uma vida de académico independente, independente de país, independente de laços académicos, de lealdade religiosa, e de tudo que pudesse interferir com a sua liberdade intelectual e a sua expressão literária.

Os principais centros da sua actividade foram Paris, Louvain, Inglaterra e Basiléia. No entanto, nunca pertenceu firmemente a nenhum destes sítios. O seu tempo em Inglaterra foi frutuoso, tendo feito amizades para a vida com os líderes ingleses, mesmo nos dias tumultuosos do rei Henrique VIII: John Colet, Thomas More, John Fisher, Thomas Linacre e Willian Grocyn. Na Universidade de Cambridge foi o professor da divindade de Lady Margaret e teve a opção de passar o resto de sua vida como professor de inglês. Ele esteve no Queens' College, em Cambridge e é possível que tenha sido alumnus.

Foram-lhe oferecidas várias posições de honra e proveito através do mundo académico, mas ele declinou-as todas, preferindo a incerteza, tendo no entanto receitas suficientes da sua actividade literária independente.

Entre 1506 e 1509 esteve em Itália. Passou ali uma parte do seu tempo na casa editorial de Aldus Manatius em Veneza. Apesar disto, teve uma associação com académicos italianos menos activa do que se esperava.

A sua residência em Louvain expôs Erasmo a muitas críticas mesquinhas por parte daqueles que eram hostis aos princípios do progresso literário e religioso aos quais ele devotava a vida. Ele interpretava esta falta de simpatia como uma perseguição e procurou refúgio em Basiléia, onde, sob abrigo de hospitalidade suíça, pôde expressar-se livremente e onde estava rodeado de amigos. Foi lá que ele esteve associado por muitos anos com o grande editor Froben, e aonde uma multidão de admiradores de (quase) todos os cantos da Europa o vieram visitar.

A produtividade literária de Erasmo começou relativamente tarde na sua vida. Apenas quando ele dominou o Latim é que começou a escrever sobre grandes temas contemporâneos em Literatura e em Religião.

A sua revolta contra as formas de vida da igreja não resultou tanto de dúvidas quanto à verdade da doutrina tradicional, nem de alguma hostilidade para com a organização da Igreja. Sentiu antes a necessidade de aplicar os seus conhecimentos na purificação da doutrina e na liberalização das instituições do cristianismo.

Como académico, tentou libertar os métodos da Escolástica da rigidez e do formalismo das tradições medievais, mas não ficou satisfeito. Ele viu-se como o pregador da retidão. A sua convicção em toda a vida foi que o que era necessário para regenerar a Europa era uma aprendizagem sã, aplicada liberalmente e sem receios pela administração de assuntos públicos da Igreja e do Estado. Esta convicção confere unidade e consistência a uma vida que, de outra forma, pode parecer plena de contradições. Erasmo viu-se livre e distante de quaisquer obrigações comprometedoras; no entanto Erasmo foi, num sentido singularmente verdadeiro, o centro do movimento literário do seu tempo. Ele correspondeu com mais de quinhentos homens da maior importância no mundo da política e do pensamento, e o seu conselho em vários assuntos era procurado avidamente, se bem que nem sempre seguido.

Aquando da sua estadia em Inglaterra, Erasmo iniciou a examinação sistemática dos manuscritos do Novo Testamento, por forma a preparar uma nova edição e uma tradução para Latim. Esta edição foi publicada por Froben de Basiléia em 1516 e foi a base da maioria dos estudos científicos da Bíblia durante o período da Reforma. Erasmo também escreveu sobre o guerreiro frísio Pier Gerlofs Donia, embora com muito mais críticas do que elogios aos feitos dele, chamando-o de "bruto estúpido que preferia a força em vez da sabedoria".

Ele publicou uma edição crítica do Novo Testamento Grego em 1516 - Novum Instrumentum omne, diligenter ab Erasmo Rot. Recognitum et Emendatum. A edição incluiu uma tradução em Latim e anotações. Baseou-se também em manuscritos adicionais recentemente descobertos.

Na segunda edição, o termo mais familiar "Testamentum" foi usado em vez de "Instrumentum". Esta edição foi usada pelos tradutores da versão da Bíblia do Rei Jaime I de Inglaterra. O texto ficou conhecido mais tarde como o textus receptus. Erasmo publicou mais três edições - 1522, 1527 e 1535. Foi a primeira tentativa por parte de um académico competente e liberal de averiguar aquilo que os escritores do Novo Testamento tinham efectivamente dito. Erasmo dedicou o seu trabalho ao Papa Leão X, como patrono da aprendizagem, e considerou o seu trabalho como o seu principal serviço à causa do Cristianismo. Imediatamente depois, começou a publicação das suas paráfrases do Novo Testamento, uma apresentação popular do conteúdo de vários livros. Este, como todos os seus livros, foi publicado em Latim, mas as suas obras eram imediatamente traduzidas noutras línguas, com o seu encorajamento.

Erasmo por Holbein, o novo

O movimento de Martinho Lutero começou no ano seguinte à publicação do Novo Testamento, e foi um teste ao carácter de Erasmo. A discussão entre a sociedade europeia e a Igreja Católica Romana tinha-se tornado tão aberta que poucos se podiam furtar a um pedido de uma opinião. Erasmo, no auge da sua fama literária, foi inevitavelmente chamado a tomar partido por um dos lados, mas partidarismo era algo de estranho à sua natureza e hábitos.

Em toda a sua crítica às tolices clericais e aos abusos, ele tinha sempre afirmado que não estava a atacar as instituições da Igreja em si e não era um inimigo do clero. O mundo inteiro tinha rido com as suas sátiras, mas poucos interferiram com as suas actividades. Ele acreditava que o seu trabalho até então o recomendava às melhores mentes e aos poderes dominantes no mundo religioso.

Erasmo tinha uma simpatia pelos pontos principais da crítica luterana à Igreja. Tinha um grande respeito pessoal por Martinho Lutero e Lutero sempre falava de Erasmo com reverência pelo seu conhecimento. Lutero esperava obter a sua cooperação num trabalho que parecia o resultado natural do seu próprio. Na sua troca de correpondência inicial, Lutero expressou uma intensa admiração por tudo o que Erasmo tinha feito pela causa de um cristianismo saudável e razoável e encorajou-o a unir-se ao movimento.

Erasmo declinou qualquer compromisso, argumentando que ao o fazer estaria a colocar em risco a sua posição como líder de um movimento por uma sabedoria pura, o que ele via como o objectivo de sua vida. Apenas como um académico independente poderia ele aspirar a influenciar a reforma da religião. A obra de Lutero foi a de providenciar uma nova base doutrinal para as tentativas até então dispersas de iniciar uma reforma. Ao reavivar os princípios quase esquecidos da teologia de Agostinho, Lutero tinha fornecido o necessário impulso para o interesse pessoal na religião, o que é a essência da Reforma Protestante. Erasmo, no entanto, temia qualquer mudança na doutrina e acreditava que não havia espaço dentro das fórmulas existentes para o tipo de reforma que ele apreciava tanto.

Por duas vezes durante o debate, ele entrou no campo da controvérsia doutrinal, uma área que era estranha à sua natureza e prácticas prévias. Um dos tópicos com que lidou foi a liberdade da vontade, um ponto crucial. No seu "De libero arbitrio diatribe sive collatio" (1524), ele analisa com inteligência e bom humor os exageros Luteranos sobre as óbvias limitações da liberdade humana. Ele apresenta ambos os lados da discussão de forma imparcial. A sua posição foi de que o Homem estava obrigado a pecar, mas que tinha o direito à misericórdia de Deus apenas se ele a procurasse pelos meios que lhe eram oferecidos pela própria Igreja. Era um Semi-Peliagianismo relaxado, abrindo o caminho para o tipo de perversões que Erasmo e os reformadores combatiam. A "diatribe" não encorajava qualquer acção definida; este era o seu mérito aos olhos dos Erasmianos e o seu defeito aos olhos dos Luteranos.


Emblema da cidade de Basiléia

Quando Erasmo hesitou em apoiá-lo, isto pareceu aos olhos de Lutero, um homem directo, um evitar de responsabilidade que era devido ou a cobardice ou a falta de visão. No entanto, o lado Católico Romano, que pretendia igualmente manter o apoio de um homem que se tinha declarado tantas vezes como leal aos princípios da Igreja, viu na relutância de Erasmo em tomar partido um sinal de suspeita da deslealdade perante o Catolicismo. A atitude de Erasmo para com a Reforma Protestante pode no entanto ser vista como consistente.

Os males que ele combateu foram os de forma ou foram males de um tipo curável apenas por uma longa e lenta regeneração na moral e vida espiritual na Europa. O programa da "Reforma de Erasmo" era de usar a aprendizagem para remover os piores excessos. No entanto, falhou em oferecer qualquer método tangível para aplicar os seus princípios ao sistema da Igreja existente. Quando Erasmo foi acusado de ter "posto o ovo que Lutero chocou" ele admitiu parcialmente a verdade da acusação mas disse que tinha esperado uma outra espécie de pássaro completamente diferente.

À medida que a opinião pública começa a reagir às opiniões de Lutero, as desordens sociais que Erasmo temia começaram a aparecer. A Guerra dos Camponeses, os distúrbios do Anabaptistas na Alemanha e nos Países Baixos, iconoclastia e radicalismo por toda a parte, parecem confirmar as suas previsões mais obscuras. Se este era o resultado da reforma, ele preferia estar de fora. No entanto, ele começava a ser acusado cada vez mais pela "tragédia". Na Suíça, ele estava ainda mais exposto pela sua associação com homens que eram suspeitos de doutrinas extremamente racionalistas.

A questão-teste era a doutrina dos Sacramentos, e o cerne da questão a observância da Eucaristia. Em parte para livrar-se de suspeitas, Erasmo publicou em 1530 uma nova edição do tratado ortodoxo de Algerus contra o herético Berengar de Tours no século XI. Ele acrescentou uma dedicatória, afirmando acreditar na realidade do corpo de Jesus Cristo após a bênção na Eucaristia, mas admitia que a forma em que este mistério deveria ser expressa fosse matéria de debate. Era-lhe aceitável que a Igreja pregasse a doutrina à maioria dos cristãos e a especulação ficasse mais segura nas mãos dos filósofos. Aqui e acolá Erasmo aponta o princípio de que um homem pode ter duas opiniões sobre assuntos religiosos, uma para si mesmo e seus amigos mais íntimos e outra para o público. Aqueles que se opunham aos Sacramentos, liderados por Oecolampadius de Basiléia, estavam, como Erasmo diz, mencionando-o como alguém com ideias semelhantes. Ele nega isto, mas na sua negação traiu aquilo que em conversas particulares é tido como uma visão racional da doutrina da Eucaristia. Tal como no caso da vontade livre, não tinha aqui a aprovação da Igreja.


Erasmo por Hans Holbein, o novo

A sua obra mais conhecida, "Praise of Folly" ("Elogio da Loucura"), foi dedicada ao seu amigo Sir Thomas More. Em 1536 ele escreveu "De puritate ecclesiae christianae", na qual ele tentou reconciliar os diferentes partidos. Muito dos seus escritos apelam a uma grande audiência e lidam com assuntos do interesse humano geral; ele parece ter considerado estes como uma diversão, uma actividade de lazer. Os seus escritos mais sérios começaram cedo com a "Enchiridion Militis Christiani" , o "Manual (ou adaga) do cavalheiro cristão" (1503). Nesta breve obra, Erasmo esquematiza as perspectivas da vida cristã normal, uma tarefa que se lhe tornaria constante na sua vida. O principal mal dos seus dias, diz ele, é o formalismo, um respeito por tradições sem consideração pelo verdadeiro ensinamento de Cristo. O remédio é que cada homem se pergunte a cada ponto "Qual a coisa essencial?", fazendo-o sem receio. Formas podem esconder ou sufocar o espírito. Na sua examinação dos perigos do formalismo, Erasmo discute a vida monástica, a veneração dos santos, a guerra, o espírito de classe e as fraquezas da "sociedade", mas o "Enchiridion" é mais um sermão do que uma sátira. O seu texto acompanhante, o "Institutio Principis Christiani" (Basiléia, 1516), foi escrito como conselho ao jovem Rei Carlos de Espanha, mais tarde Carlos V, Sacro-Imperador Romano. Erasmo aplica os princípios gerais de honra e de sinceridade às especiais funções do Príncipe, quem ele apresenta como um servidor do povo.

Como resultado das suas actividades reformadoras, Erasmo viu-se em conflito com ambas as grandes posições. Os seus últimos anos de vida foram ofuscados por controvérsias amargas com pessoas para quem ele seria normalmente simpático. Notavelmente entre estes encontrava-se Ulrich von Hutten, um génio brilhante mas errático, que se entregara à causa de Lutero e tinha declarado que Erasmo, se tivesse uma faísca que fosse de honestidade, faria o mesmo. Na sua resposta "Spongia adversus aspergines Hutteni" (1523), Erasmo demonstra o seu pleno domínio da semântica. Ele acusa Hutten de ter interpretado mal o seu discurso sobre a reforma e reitera a sua determinação em não tomar partido nunca.


Placa comemorativa da estadia de Erasmo em Freiburg

Quando a cidade de Basiléia se tornou oficialmente "reformada" em 1529, Erasmo deixou de residir ali, tendo-se mudado para a cidade imperial de "Freiburg im Breisgau". Parece indicar que ele viu como mais fácil manter a sua neutralidade sob o domínio Católico Romano do que em condições protestantes. A sua actividade literária permaneceu inabalada, maioritariamente na composição religiosa e didáctica. A obra mais importante deste último período é a "Ecclesiastes", ou "Pregador do Evangelho" (Basiléia, 1535), na qual ele aponta a função de pregador como o serviço mais importante do padre cristão, uma ênfase protestante. O seu pequeno tratado de 1533, "Preparação para a Morte", no qual ele coloca ênfase na importância de uma boa vida como condição essencial para uma morte feliz, mostra outra tendência.

Erasmo retornou a Basiléia, a sua casa mais feliz, em 1535, após ausência de seis anos. Lá, de novo entre o grupo de académicos protestante que eram seus amigos de longa data, e sem ter qualquer contacto que seja conhecido com a Igreja Católica Romana, Erasmo faleceu. Durante a sua vida, as autoridades da Igreja Católica nunca o tinham chamado a justificar as suas opiniões. Os ataques à sua pessoa foram de pessoas privadas, e os seus protectores tinham sido pessoas em altas posições. Em 1535 o Papa Paulo III intentou eleva-lo à condição de Cardeal, mas Eramus alegou a sua avançada idade e estado de saúde para recusar. Após a sua morte, como reacção da Igreja Católica Romana, os seus escritos viriam a ser colocados no Index dos livros proibidos (ver Index Librorum Prohibitorum).

IM:Wikipedia


Donnerstag, 23. Juli 2009

Wortes uber Stadte

Mãe vem ouvir Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei!
Traze tinta encarnada para escrever estas coisas!
Tinta cor de sangue, sangue verdadeiro, encarnado! Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.
Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me ao teu lado.
Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado!
Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa.
Eu também quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!
Almada Negreiros in A Invenção do dia claro

Um mimo às mães e aos filhos

Diário gráfico

Diário gráfico 2009 O 28

Freitag, 17. Juli 2009

musics auf Städte

Wortes uber Stadte

O Cerco à Cidade de Cremna

Na época dos imperadores Aureliano, Tácito e Probo, nas províncias de Isáuria, Pisidia e Lícia, na Ásia Menor, famosas há séculos como esconderijos de salteadores, vivia um certo Lidio, que era de todos o mais famigerado e temido.
Era natural de Isáuria c nascera no tempo de Felipe, o Árabe. Todos os seus antepassados tinham sido também salteadores. Seu pai perdera a vida durante uma pilhagem na Licia, seu avô e dois tios morreram enforcados à mesma época. Desconhece-se seu nome de batismo; desde os vinte anos que era chamado de Lidio e com este nome ficaria famoso por aquelas paragens. Lidio era, por natureza, inteligente, astuto e corajoso mas ponderado em seus empreendimentos. Sabia tirar partido das pessoas c servir-se do amor ou medo que nelas despertava para conseguir seus intentos.
Assim foi ascendendo, de triunfo cm triunfo, e ainda jovem já conhecia o sabor da fama e do poder, sem que por isso os anos lhe trouxessem cansaço ou tédio. Só depois de ter completado trinta anos, o êxito fácil e contínuo das arriscadas façanhas o convenceram, movido por sentimentos de júbilo e êxtase, de sua invencibilidade. Assim foi que decidiu exceder os limites estabelecidos pelas leis divinas para, afinal, sofrer uma queda brusca e fatal.
Durante sua passagem e de seu numeroso bando pela Cilícia, juntou-se-lhes um grego jônico, de nome Hefaisto, que até então estivera a serviço de piratas cilicinos mas preferira alistar-se agora no famigerado bando de Lídio. Dai em diante, suas façanhas foram cada vez mais retumbantes, pois esse Hefaisto era homem hábil e astucioso, fértil em ardis, planos e maquinações. Dominava bem cinco idiomas, sabia desenhar mapas e entendia de espionagem, conhecia a estratégia militar e a arte de sitiar mas distinguia-se, sobretudo, como atirador exímio e construtor de engenhos bélicos. Inventara e construirá catapultas, com a ajuda das quais era capaz de alvejar, com impressionante precisão, quer usasse flechas, quer arremessasse pedras, o inimigo previamente visado. No combate à distância, sabia como aproveitar qualquer terreno e, durante os cercos, dirigia pessoalmente a edificação de paliçadas, a abertura das trincheiras e a escavação de minas. Lídio apercebia-se claramente do valor desse homem.
Tratava-o com afabilidade, concedia-lhe o direito de arrecadar o dobro da presa dos demais homens e honrava-o com o posto de comando imediatamente inferior ao dele. No começo, observara-o com certo receio e inveja, pois temia que esse grego de mil talentos se convertesse num perigo.so rival, capaz de derrubá-lo mais dia menos dia. Mas depressa concluiu que Hefaisto o superava, certamente, em muitos talentos e ardis, porém não tinha nascido para governar. E, de fato, o grego não teria servido — apesar de sua inteligência — para liderar aqueles homens. Faltava-lhe, para tanto, o olhar dominante, os gestos imperiosos e violentos, a intrepidez pessoal, ,sem o que nenhum homem pode manter o controle de qualquer grupo, por menor que seja, impondo-lhe obediência e fidelidade submissa. Lídio viu seus temores dissiparem-se e o grego, por seu turno, contentava-se em ser o conselheiro dileto e o chefe imediato de Lídio, em vez de aspirar ao supremo comando.
Por algum tempo esse bando de centenas de homens mantevese operando na pequena província de Pisídia e em parte da Panfília. Os camponeses eram despojados de seus rebanhos, trigo, frutas e vinho; as cidades e os comerciantes perdiam dinheiro, mercadoria e equipamentos, c ninguém se atrevia a opor resistência ao poderoso cabccilha. Anpustiosos pedidos de socorro e reclamações desesperadas eram dirigidos ao governador da província, ao imperador e ao Senado, em Roma; a toda hora eram despachadas centúrias romanas ao encontro dos salteadores, mas estas ou sofriam derrotas fragorosas, ou tinham de regressar sem pôr a vista no bando, que era exímio na arte de sumir na intransitável e acidentada cordilheira de Tauro. Lídio, possuído de uma vaidade ofuscante por tantos êxitos obtidos, já dava a entender que, em caso de necessidade, poderia até defrontar o Império, cujo poderio se revelara tão fraco em todos os recontros com a sua gente. Passou então a provocar as autoridades, não poupando funcionários e soldados, e anunciando ocasionalmente que pretendia disputar ao imperador a posse daquelas províncias, tornando-as propriedades suas. Na realidade, não faltava muito para isso, pois Lídio incendiava e saqueava impunemente povoados, aldeias e vilas inteiras, apoderando-se do que queria a seu bel-prazer, e não só dispunha de centenas de combatentes bem adestrados e intrépidos mas, além disso, tinha por toda a parte espiões, olheiros, receptadores e aliados secretos.
Entrementes, em Roma, o valente e justiceiro Imperador Probo sucedera a um governo fraco e pusilânime. As queixas e pedidos de socorro que chegavam insistentemente daquelas mal-afamadas paragens da Ásia Menor obrigaram o novo imperador a promulgar severos editos e a enviar aos governadores das províncias flageladas pelo bando de Lídio instruções rigorosas para que desencadeassem uma verdadeira guerra contra os salteadores.
Lídio logo que teve conhecimento dessas determinações de Roma exultou, pois lhe pareceu que chegara a hora de mostrar seu poderio e de zombar abertamente do Império. Como começasse a ser acossado e molestado por sucessivas patrulhas de centúrias romanas, decidiu, obstinado, possuído de grande fúria, arriscar tudo num ato de inaudita violência que servisse de lição a seus inimigos. Edificada nas culminâncias rochosas e alcantiladas de uma das montanhas de Tauro, na província de Pisídia, erguia-se a cidade de Cremna, tida como inexpugnável por natureza e engenho humano. Fora construída de modo que três dos seus lados estavam protegidos por um abismo profundo e inacessível, e o quarto lado era protegido por uma formidável muralha. Foi essa cidade que Lídio resolveu conquistar e daí desafiar o mundo inteiro. Consultou Hefaísto e alguns de seus companheiros diletos, que aprovaram o audacioso plano, logo posto em prática na semana seguinte.
Numa manhã do mês de abril, apareceram nas portas da cidade de Cremna dez homens que, sem serem vistos, tinham subido a única e Íngreme estrada que conduzia até ela. Silenciosamente tomaram de surpresa as portas, sem encontrar oposição séria dos guardas, e hastearam uma bandeira vermelha, deixando as sentinelas fugirem apavoradas enquanto eles riam com gosto. Já nessa altura o bando de Lídio vinha escalando a íngreme estrada.
O cabecilha, um homem moreno e bonito, de rasgados olhos pretos e maldosos, vinha na frente, montado numa mula. Não falava e limitava-se a acenar aos seus homens — que caminhavam cantando e folgando — para que se calassem e não abandonassem a ordem de marcha. Atento, vigiava todos os detalhes do percurso e a disposição da cidade alcandorada, como um ninho de águias, nos imensos penedos à sua frente. Lídio sabia que estava cavalgando ao encontro de sua maior aventura e que daquelas muralhas ele só poderia sair de novo coroado ou morto. Observava, pensativo, as ameias audaciosamente debruçadas sobre o abismo, talvez pressentindo, no íntimo do coração, uma guinada decisiva em sua estrela, mas, como sempre, frio e firme, pois o temor era-lhe desconhecido. E, intimamente, emocionava-o pensar que, daí a pouco, o aventureiro sem pátria entraria triunfalmente como senhor numa cidade romana fortificada.
A tropa seguia-o a pé, em razoável formação. Eram mais ou menos cem homens de armas, escolhidos entre os melhores de seu bando. Depois deles, vinham as carroças com mantimentos e, finalmente, uma manada de gado roubado. O cortejo era fechado por Hefaísto, montado num pequeno cavalo pigarço; além do chefe, era o único homem que cavalgava; de baixa estatura, poucas falas e um rosto aparentemente vulgar e inofensivo, só os olhos vivos e as rugas finas denunciavam um homem capaz de mil astúcias. A entrada realizou-se em silêncio e boa ordem. Os cidadãos entreolhavam-se, surpresos e preocupados, ninguém pensando em opor-se aos salteadores. Os vadios, que passavam os dias acocorados à sombra do lado oeste da rua, dirigiram gracejos aos homens de Lídio, que lhes retorquiam na mesma moeda.
De uma pequena casa, em cujo térreo um entalhador tinha sua oficina, saiu, quando o bando acabara de desfilar, uma jovem alta e bela que levava uma ânfora ao ombro. Hefaísto, que cavalgava por último, notou o olhar surpreendido da formosa donzela, que logo lhe agradou muito, e dirigiu-lhe uma vênia cortês, acompanhada de um sorriso tranqüilizador, a que juntou os versos finais de um antigo madrigal jônico. Lídio, entrementes, assumia a administração da cidade e fazia anunciar, por meio de arautos, que era o novo senhor de Cremna. Como seus homens respeitassem a disciplina e não pusessem em perigo a vida, bens ou liberdade dos habitantes, ninguém pôs objeções aos conquistadores. Comentava-se que ele era o famoso Lídio e muitos se alegraram de poder ver com os próprios olhos esse temido e estranho herói. Lídio mostrava-se indiferente a tudo, providenciava alojamentos para seus homens com os cidadãos mais prestimosos, cuidava da defesa, distribuía guardas pelos postos e recolhia-se a seus aposentos.
A cidade tornara-se alegre e ruidosa; à maioria dos soldados era concedida hospitalidade, de boa vontade, e pelas ruas só se ouviam cantos, gargalhadas e danças. Hefaísto, porém, alojara-se na casa daquele entalhador, logrando a simpatia dessa humilde família com algumas moedas de prata. Fechado o trato, dirigiu-se animadamente e sem pressa ao encontro de seu chefe, passando a tarde sozinho com ele a discutir planos e estudar deliberações. À noite, ofereceu vinho aos anfitriões, tocou lira e entoou canções alegres, falou de outros países por onde andara e teve, sentada a seus pés, a moça esbelta de olhos castanhos, cuja cabeça repousava em seu colo, enquanto ele corria os dedos pela sua longa e sedosa cabeleira. Seu nome era Febe, e recusou-se a acompanhá-lo à alcova mas prometeu que o faria no dia seguinte, com o que Hefaísto se conformou. No dia seguinte, Lídio recebeu a noticia de que uma legião romana fora mobilizada e se aproximava de Cremna, como ele já esperava. Dirigiu-se à praça do mercado da cidade e, tendo mandado reunir sua gente, ali fez com que toda a tropa lhe prestasse juramento de fidelidade até à morte.
Imediatamente começaram os preparativos da cidade apavorada para sustentar o cerco. Duzentos cidadãos com suas famílias abandonaram nesse mesmo dia a cidade, sendo-lhes permitido levarem tudo que fosse transportável mas nada de mantimentos. Em todas as casas se ouviam lamentações mas ninguém se atrevia a contrariar abertamente as decisões de Lídio. De noite, todos os descontentes tinham abandonado a cidade e ainda no dia seguinte foram expulsas muitas centenas de pessoas, enquanto outras debandavam, tomadas de pavor. Uma semana mais tarde surgiu na extensa planície o exército romano e, no mesmo dia em que as primeiras colunas foram divisadas, regressaram a Cremna alguns cidadãos que Lídio mandara expulsar, acompanhados de um emissário do governador da província, intimando o salteador a abandonar a cidade. Silenciosamente, os cidadãos puderam franquear as portas, escoltados por homens de Lídio, mas o emissário romano ficou sem resposta.
No dia seguinte, Cremna estava cercada por numeroso exército e o sítio foi proclamado. Lídio mostrava uma expressão animada, seu plano fora meticulosamente elaborado e ele estava decidido a afundar junto com a cidade inteira antes de ceder um palmo ao sitiante. Começou por condenar os desterrados que tinham regressado na véspera com o emissário de Roma a serem lançados do mais alto e mais visível rochedo para exemplo geral. Ameaças e maldições ecoavam pelo abismo; alguns dos condenados choravam e defendiam-se com bravura, antes de serem empurrados para o precipício, outros pulavam voluntariamente. Na cidade, espalharase um terror silencioso.
Todo mundo se apercebia das providências desesperadas que estavam sendo tomadas e não poucos passaram a temer pela vida. Quem podia planejava fugir da cidade, agora clandestinamente; os que ficavam recolhiam-se em casa, amedrontados, ou procuravam refúgio em porões e outros esconderijos, Lídio decretou que daquele dia em diante não haveria mais propriedades particulares e mandou confiscar todos os víveres e mantimentos. Ele próprio saia à rua para distribuir ordens, louvar ou repreender quem, em sua opinião, merecia uma ou outra coisa. A guarnição foi encarregada de executar trabalhos pesados. Para aumentar as reservas de mantimentos, Lídio mandou derrubar numerosas casas a fim de lavrar a terra e semear cereais. Os poucos habitantes que continuavam residindo na cidade, apenas um terço da antiga população, em breve se viram reduzidos à extrema penúria. Pois todo o gado, as provisões de trigo, farinha, frutas, vinho e outros mantimentos foram recolhidos por L í dio e guardados em entrepostos.
Era distribuída uma ração diária de carne, pão e vinho, com imparcialidade, sem atender a considerações pessoais, mas só aos que participavam nas construções da defesa e nos trabalhos do campo. Os outros ficavam à mercê da fome e da compaixão dos salteadores, que só se manifestava, geralmente, em proveito das mulheres. Hefaísto acobertara a fuga de seu anfitrião, o entalhador, e sua mulher, tendo-lhes dado algum dinheiro para a viagem, mas conservara a filha com ele. Viviam agora juntos e a bela moça aceitara ser sua serva e amante. Hefaisto, porém, não abandonava os seus afazeres por ela e era visto intensamente ocupado em desenhar mapas, observar os dispositivos inimigos e maquinar planos. Por vezes, quando alguns romanos se aventuravam a chegar perto demais, Hefaisto assestava neles seus terríveis canhões e destruia-os com tiros certeiros.
Do lado dos sitiantes, só ocasionalmente alguns tiros de flecha e pedradas logravam chegar à cidade. Mas também era verdade que pouco se esforçavam, pois estavam decididos a deixar os sitiados morrerem de fome. Por isso, Lídio, com a ajuda do expedito Hefaisto, tudo fazia para evitar uma futura escassez de víveres. Mandaram salgar e defumar carne, o grão de trigo e a farinha continuavam rigorosamente guardados, qualquer leira de terra era lavrada e semeada sem perda de tempo e, finalmente, Hefaisto teve a idéia de construir uma galeria subterrânea que l i gasse a cidade aos campos adjacentes. Lídio imediatamente mandou pôr mãos à obra. As cavernas naturais e as fendas rochosas facilitavam o ousado intento e em poucos meses estava concluída a passagem. Entrementes, a população ficara substancialmente reduzida. Antes de iniciado o trabalho de abertura da galeria, Lídio mandara que o portão da cidade ficasse aberto por um dia e uma multidão de bocas desnecessárias abandonara a cidade.
Desde então, ninguém mais pôde sair, para que a passagem secreta não fosse descoberta pelo inimigo. E quem se recusasse a executar trabalhos pesados, queixando-se de fome, era atirado incontinenti para o fundo do abismo, onde abutres e lobos tinham lautas refeições. A galeria subterrânea, construída sob a direção de Hefaisto, terminava num pequeno vale, cortado por um riacho, bem na retaguarda do acampamento romano. No dia em que ela pôde ser u t i l i zada pela primeira vez, Lídio abraçou em público o grego e presenteou-o com um magnífico colar de ouro. Começava agora na cidade sitiada uma nova fase de existência alegre e confiante.
Pela galeria, a cada quatro ou cinco dias, eram trazidas grandes quantidades de gado roubado ou comprado, trigo, pão, caça e muitas outras provisões. Tampouco faltavam os tonéis de vinho, e os sitiados, descansando dos pesados trabalhos do subterrâneo, recebiam rações dobradas. Ouviam-se flautas, cantos alegres, a algazarra dos jogadores de dados. As moças da cidade eram obrigadas a sair de casa para dançar nas ruas e Lídio, em pessoa, participava das orgias que tinham lugar na praça do mercado, apresentando-se com a cabeça engrinaldada de louros. Assim foi até o verão; e os romanos continuavam acampados, exaustos e mal-humorados, à vista da alegre cidade dos salteadores. Galgando caminhos arriscados, tentaram algumas vezes tomar de assalto a cidade, em ataques noturnos. Mas Lídio vigiava dia e noite.
Quando alguma cabeça inimiga surgia nas ameias denteadas ou se ouviam passos furtivos rondando as muralhas escuras, uma saraivada de flechas, pedras e outros projéteis descia na mesma hora sobre os intrusos. Aconteceu, porém, que numa noite estivai uma pobre camponesa pôs-se a procurar pelos campos a sua vaca, que se perdera. Num pequeno vale, cortado por um riacho, entre pedras e salgueiros, ela ia^ndando de um lado para outro, chamando por sua vaca quando, de súbito, escutou vozes de homens. Assustada, ocultou-se entre as pedras. De ouvido à escuta, viu estarrecida que os homens saíam do chão e desapareciam, subindo o vale na direção das colinas. Na esperança de receber uma boa recompensa, a mulher correu açodada ao acampamento e pediu para falar com um general romano. Contou.-lhe tudo o que vira e recebeu uma moeda de ouro com a efígie do antigo imperador. Depois, o general dirigiu-se corn seus homens ao local denunciado e preparou uma emboscada. Quando os salteadores regressavam com provisões, foram atacados de surpresa e todos eles aprisionados.
A entrada da galeria foi trancada e posta sob a guarda permanente dos centuriões. A partir desse dia, a existência despreocupada de Cremna ficou com seus dias contados. Acabou o vinho, as rações de farinha e carne foram reduzidas à metade. Lídio estava agora convencido de que a sua linica saída consistia em morrer invicto, de arma na mão. Lídio passava as noites em claro cogitando na maneira de manter a cidade em seu poder o maior tempo possível. Seu rosto andava sombrio como uma nuvem de tormenta.
De espada na mão, entrava nas casas e onde quer que encontrasse alguém que ele reputasse desnecessário ou i n ú t i l , matava-o a estocadas. Somente estavam a salvo de tais crueldades os homens necessários para a guarnição militar e algumas mulheres que os salteadores possuíam em comum. Hefaísto, que se sabia imprescindível e conservava bem escondida sua amante, era o único que conservava o bom humor e via, impassível, aproximar-se a tempestade. Os demais estavam tomados de pavor, pois sabiam ter a vida ameaçada e as rações diminuídas diariamenie, colocando-os nn terrível contingência de morrerem assassinados ou — ahernativa horrenda — de fome. Lídio deixara de dormir e, a qualquer hora do dia ou da noite, era visto sempre empunhando sua refulgente e sinistra espada.
Era capaz de ficar dias a fio enclausurado em sua casa, sobre a qual pesava um silêncio abafado e funéreo, até que, súbito, surgia como uma fera que rebentasse a jaula, e matava alguma sentinela solitária que julgasse inútil, empurrando-a precipício abaixo. Um grupo de seus homens decidiu eliminá-lo. Mas, perante seu olhar ardente e cruel, todos retrocediam acovardados.
E esses homens rudes pressentiam com horror que Lídio fora dominado pelo Demônio para cumprir um destino pavoroso. Hefaísto e alguns lugar-tenentes fiéis ajudavam-no a vigiar os depósitos e seguíam-no silenciosamente, de longe, quando o tresloucado Lídio fazia suas incursões homicidas, para eliminar, pelo seu próprio punho, mais um ou dois de seus homens. Começou correndo a lenda de que ele se alimentava do sangue de suas vítimas, bebendo-o enquanto fumava. Não tardou muito para que sua loucura o fizesse suspeitar também dos partidários mais eficientes e leais. Por isso, certa noite, decidiu rondar a casa onde vivia Hefaísto e escutou a conversa do grego com Febe.
No dia seguinte, chamou Hefaísto e disse: — Tens uma moça escondida em tua casa. Esta noite, ao escurecer, quero que a tragas aqui. Hefaísto ficou aterrorizado. Não estava disposto a entregar sua pombínha e como soubesse que tampouco poderia conservá-la, esperou que caísse a noite e quando a moça dormia transpassou-lhe o coração com um punhal, enrolou-a num tapete e ordenou que dois homens a levassem a Lídio. Dias depois, estava Hefaísto junto de sua catapulta na muralha da fortaleza, observando o inimigo, quando Lídio se acercou e, sorridente, disse: — Obrigado pela moça que me mandaste a outra noite. Era muito bonita. Já agora, poderias fazer-me um outro favor. Assesta a tua catapulta na direção daquele guarda que está no torreão superior e mata-o. Não preciso mais dele. O grego, que sentia ainda o sangue da sua amada queimandoIhe as mãos, olhou fixamente para Lidio e replicou: — Atira tu mesmo. Eu não tenho flechas para os meus próprios companheiros!

Lídio, enfurecido, chamou três homens que o escoltavam, submissos como cães de fila, e ordenou-lhes que despissem Hefaisto e o açoitassem. E afastou-se, não se preocupando mais com ele. O grego sabia bem que tinha sua vida por um fio. Refugiou-se numa cisterna, esperando pela noite. Com um lençol esticado e duas varas, armou uma espécie de pára-quedas e, subindo à muralha, lançou-se sobre o abismo. Conseguiu pousar sem maiores danos na planície e dirigiu-se, cambaleante, ao acampamento romano. Deixou-se levar à presença do general e solicitou clemência, prometendo que, em troca, faria Lidio cair. E cumpriu a promessa poucos dias depois. Com a ajuda de alguns engenheiros romanos, Hefaisto construiu uma catapulta com a qual poderia arremessar projéteis por cima das muralhas de Cremna. Ora, conhecendo bem o lugar onde Lidio costumava postar-se, nas ameias da fortaleza, observando o inimigo, Hefaisto assestou a catapulta e armou-a com umá grande lança. No momento em que achou mais provável que Lídio lá estivesse, disparou a flecha.
Com isso terminou o sítio de Cremna. A flechada perfurou um olho de Lídio e feriu-o mortalmente. Mas era tanta sua energia que ainda conseguiu sobreviver um dia inteiro, matando mais dois de seus homens. Quando sentiu, por fim, que a morte inevitável se avizinhava, quis que seus homens jurassem não entregar a cidade, após sua morte, defendendo-a até à última gota de sangue. Mas quando o viram morto, quando seu temido olhar se apagou no rosto moreno, o bando como que despertou de um misterioso sortilégio, cuspiu no cadáver, insultou-o, profanou-o. E foi entregar-se ao desdéni e à mercê dos sitiantes.
Hermann Hesse

musics auf Städte

seitens der Städte.. LUANDA: Sequeira Costa

José Carlos Sequeira Costa ou Sequeira Costa
Luanda, Angola, 18 de julho de 1929
É um conceituado pianista clássico português que é especialmente admirado pelas suas interpretações do repertório Romântico.

Em criança, mostrou excepcional talento musical. Quando tinha oito anos, mudou-se para
Lisboa, iniciou os seus estudos musicais com Vianna da Motta (um dos últimos alunos de Liszt e de Hans von Bulow), tendo desenvolvido a sua própria interpretação musical com base nas escolas Francesa e Alemã, com Mark Hamburg, Edwin Fischer, Marguerite Long e Jacques Fevrier.

Aos 22 anos de idade foi galardoado com o Prémio Internacional Marguerite Long (
Paris) e 5 anos mais tarde fundou o Concurso Internacional de Música de Lisboa Vianna da Motta. Em 1958, foi conviddado por Dmitri Shostakovich para fazer parte do júri da Competição Internacional Tchaikovsky em Moscovo, ao qual retornou seis vezes. Desde então, tem integrado o júri dos mais importantes concursos a nivel mundial de Piano como por exemplo o concurso Tchaikovsky, Chopin, Leeds, Marguerite Long, Montréal, Rubinstein e o concurso Sviatoslav Richter.

Imagens de Calçada Portuguesa recolhidas na Internet com suporte de música de Vianna da Motta - Cantiga D'amor - interpretada ao piano por Sequeira Costa.

Orienta Master Classes um pouco por todo o mundo e é professor na Universidade do Kansas. Muitos dos seus alunos obtêm prémios nos concursos mais importantes de piano.
Ao longo da sua carreira de intérprete, Sequeira Costa tem tocado nas mais importantes salas de espetáculo, quer a solo, ou acompanhado pelas mais prestigiadas orquestras, sob a direcção dos mais notáveis maestros. A sua extensa discografia inclui música para piano solo de Ravel, Chopin, Schumann, Albeniz, Bach/Busoni, Vianna da Motta, Rachmaninov e Beethoven, bem como as integrais para piano e orquestra de Schumann, Rachmaninov e Chopin.
Im:Wikipedia

Donnerstag, 16. Juli 2009

seitens der Städte

seitens der Städte.. WIEN: Liszt


Franz Liszt (pronuncia-se Lisst), em húngaro Liszt Ferenc, (Raiding, Boêmia, 22 de outubro de 1811 — Bayreuth, 31 de julho de 1886) foi um compositor e pianista teuto-húngaro do Romantismo. Liszt foi famoso pela genialidade de sua obra, pelas suas revoluções ao estilo musical da época e por ter elevado o virtuosismo pianístico a níveis nunca antes imaginados. Ainda hoje é considerado um dos maiores pianistas de todos os tempos, em especial pela contribuição que deu ao desenvolvimento da técnica do instrumento.


Franz Liszt nasceu em 22 de outubro de 1811 no vilarejo de Raiding (em húngaro: Doborján) no Reino da Hungria (então no Império Habsburgo, hoje parte da Áustria), no comitato de Oedenburg (em húngaro: Sopron). Foi batizado em latim com o nome "Franciscus", mas seus amigos mais próximos sempre o chamaram de "Franz", a versão alemã de seu nome. Era chamado de "François" em francês, "Ferenc", "Ferencz" ou "Ferentz" em húngaro; no seu passaporte húngaro de 1874, o nome registrado era "Dr. Liszt Ferencz". Seus pais eram Adam e Anna Maria Liszt.


Liszt cresceu em Raiding, parte de Burgenland. A língua tradicional daquela região era alemão, e apenas uma minoria sabia falar húngaro. Oficialmente, latim era utilizado. Seu pai, Adam Liszt, tivera aulas em húngaro no ginásio de Pressburg (agora Bratislava, capital da Eslováquia), mas ele não aprendeu quase nada nelas e sempre tinha notas terríveis. Apenas a partir de 1835 as crianças de Raiding passaram a ter aulas de húngaro na escola. O próprio Liszt era fluente em alemão, italiano e francês; também tinha um pequeno domínio de inglês, mas seu húngaro era muito precário. Nos anos 70, quando todos os habitantes da Hungria foram forçados a aprender húngaro, Liszt tentou aprendê-lo, mas desistiu depois de algumas aulas.

A nacionalidade de Liszt foi causa de muita intriga e discussão. De acordo com pesquisas, seu bisavô, Sebastian List (o pai de Liszt acrescentou a letra "z" ao sobrenome da família, e esta versão foi adotada pelo avô de Liszt), era um alemão que resolveu morar na Hungria no Séc.XVIII. Como a nacionalidade de uma pessoa nascida na Hungria na época era herdada, seu avô e seu pai, Georg List e Adam List também seriam alemães. Seguindo este raciocínio, Liszt também deveria ser considerado alemão. A mãe de Liszt era austríaca, e a cidade de Liszt hoje pertence à Áustria.

Hoje, ele é considerado alemão por algumas pessoas, mas quando perguntado sobre sua nacionalidade, Liszt sempre respondia com orgulho que era húngaro, mesmo sem sequer falar a língua; durante toda sua vida usou seu passaporte húngaro para viajar. Este fato fez com que ainda hoje a maioria pense que ele era completamente húngaro.


Era sonho do próprio Adam Liszt se tornar músico. Estudara Piano, Violino, Guitarra e Violoncelo. No inverno entre 1797 e 1798, enquanto estudava Filosofia na Universidade de Pressburg, ele estudou instrumentação com Paul Wigler; infelizmente, devido à sua falta de recursos financeiros, teve de desistir dos estudos. Logo no dia 1 de janeiro de 1798, ele passou a trabalhar para o Príncipe Nikolaus II Esterházy. Entre 1805 e 1808, ele trabalhou em Einsenstadt, onde o Príncipe Esterházy (que vivia em Viena) tinha uma casa de férias com uma orquestra. Até 1804 essa orquestra foi regida por Franz Joseph Haydn, e a partir desta data até 1811, por Johann Nepomuk Hummel. Em várias ocasiões, Adam Liszt tocou nela como segundo Violoncelista. Em 13 de setembro de 1807, a orquestra executou a Missa em Dó Maior de Ludwig van Beethoven, regida pelo próprio. Adam Liszt conhecia Haydn, Hummel e Beethoven. Para ele, os vienenses clássicos haviam atingido o nível de musicalidade mais alto.

O próprio Liszt, quando adulto e artisticamente maduro, freqüentemente falava que as experiências musicais mais importantes de sua infância foram as performances de artistas ciganos. Porém, o repertório que ele teve de estudar no Piano era bem diferente da música dos ciganos. Uma carta de 13 de abril de 1820 de Adam Liszt para o Príncipe Esterházy diz que ele comprou cerca de 8800 páginas de partituras dos maiores mestres da música. Durante os 22 meses que se seguiram, Liszt já havia estudado as obras mais tecnicamente complexas de Johann Sebastian Bach, Wolfgang Amadeus Mozart, Beethoven, Hummel, Muzio Clementi, Johann Baptist Cramer, dentre outros. Já que o garoto já havia ficado doente várias vezes, é impressionante saber que ele tocou todas estas obras, mas ele havia começado no verão de 1818, mais ou menos com sete anos. Progrediu extraordinariamente rápido. Em outubro de 1820, no velho cassino de Ödenburg, ele participiu de um concerto do Violinista Baron van Praun, este também um prodígio. Na segunda parte do Concerto, Liszt tocou um Concerto em Mi Bemol Maior de Ferdinand Ries, e uma improvisação dele mesmo, com muito sucesso.

Em novembro de 1820, Adam Liszt teve uma oportunidade ainda maior de mostrar ao público o dom de seu filho. Em Pressburg, a Dieta se encontrou pela primeira vez após um rompimento de 13 anos. Em 26 de novembro, Liszt deu um concerto para uma platéia de aristocratas e membros da alta sociedade. Um grupo de magnatas assegurou um pagamento anual de 600 Gulden durante seis anos para que o garoto pudesse estudar no exterior.

Adam Liszt já havia pedido ajuda ao Príncipe Esterházy em 4 de agosto de 1819 para educar seu filho. Nessa petição, ele estimou um gasto anual que ficaria entre 1300 e 1500 Gulden. Ele não esperava que o Príncipe fosse pagar essa quantia, mas também pediu uma posição em Viena. Assim, Adam poderia ganhar dinheiro por conta própria enquanto seu filho teria aulas com um grande mestre do Piano. A petição foi apoiada por Hofrat Johann von Szentgály, um oficial. Mas como não havia vagas para o trabalho em Viena, a petição foi negada pelo Príncipe. Os 600 Gulden oferecidos pelos magnatas em novembro de 1820 eram insignificantes comparados aos gastos de 1500 Gulden anuais. Nada aconteceu pelo próximo um ano e meio. Em 6 de maio de 1822, Adam Liszt pediu em uma petição por um ano de ausência. Quando o Príncipe aceitou esta, Adam Liszt já havia vendido tudo que ele possuía em Raiding. Em 8 de maio de 1822, a família Liszt foi para Viena.

Em Viena, o jovem Liszt freqüentou aulas de Piano com o grande Carl Czerny, que fora aluno de Beethoven em sua juventude. Czerny comentou em seu "Lebenserinnerungen" (Memoires) que ficou impressionado com o talento de Liszt ao Piano, mas que o garoto não tinha qualquer conhecimento de dedilhados apropriados, e seu jeito de tocar era caótico. Czerny, de primeira, mostrou a Liszt algumas das Sonatas mais fáceis de Clementi e mandou tocá-las.
O garoto tocou-as sem qualquer dificuldade, mas não entendia que tinha de trabalhar nos detalhes da execução e da expressividade. O professor e seu aluno também tinham opiniões diferentes quanto a dedilhados usados para as obras tocadas. Há boatos de que o garoto em uma tentativa de escapar das odiadas aulas escreveu dedilhados complexos e difíceis para as obras e os mostrou ao seu pai, alegando que eles haviam sido escritos por Czerny. Havia se tornado "óbvio" que Czerny não tinha noção do que manda seus alunos fazerem, e Liszt deveria parar de ter aulas com ele. Após isso, Adam Liszt conversou com Czerny e seu filho, e as aulas prosseguiram.

Pouco depois, Liszt foi ouvido em círculos privados. Sua estréia em Viena foi em primeiro de dezembro de 1822, em um concerto na "Landständischer Saal". Liszt tocou um Concerto em Lá Menor de Hummel e também uma improvisação numa Ária da Ópera de Rossini "Zelmira" e também o Allegretto da 7ª Sinfonia de Beethoven. Em 13 de abril de 1823, ele deu um concerto famoso na "Kleiner Redoutensaal". Dessa vez, tocou um Concerto em Si Menor de Hummel, variações de Moscheles e uma improvisação dele mesmo. Diz uma lenda que Beethoven ficou tão impressionado com a técnica e o virtuosismo precoce do garoto que o parabenizou no palco, dando-lhe um beijo na testa. Porém, algumas fontes dizem que Beethoven nem sequer subiu ao palco, e alguns registros de Beethoven mostram que ele não compareceu ao concerto.

A partir de julho de 1822, Liszt passou a ter aulas de composição com Antonio Salieri. De acordo com uma carta de Salieri ao Príncipe Esterházy que data de 25 de agosto de 1822, até então ele havia introduzido o garoto a alguns elementos da teoria musical. Mais aulas viriam depois destas. Já que os admiradores do garoto o tratavam como um novo Mozart ou Beethoven, Salieri havia aceitado uma tarefa nada fácil.

Na primavera de 1823, quando o ano de ausência concedido a Adam Liszt estava chegando ao fim, Adam Liszt pediu em vão ao Príncipe mais dois anos. Adam mais tarde pediu demissão ao Príncipe, e no fim de abril de 1823, a família voltou pela última vez à Hungria. Liszt deu concertos em Peste nos dias 1 e 24 de maio. Também participou de concertos nos dias 10 e 17 de maio no "Königliches Städtisches Theater" e em 19 de maio na "vergnügliche Abendunterhaltung" (uma tarde entretiva de música). Neste último evento, Liszt tocou um arranjo para Piano da Marcha de Rackózy, algumas danças húngaras e peças de Csermák, Lavotta e Bihari. No fim do mês, a família voltou a Viena.
Principais Obras
19 Rapsódias Húngaras para Piano (posteriormente orquestradas);
12 Estudos de Execução Transcendental;
Sonata em Si Menor;
Sinfonia Fausto;
Sinfonia Dante;
Concerto para Piano Nº1;
Valsa Mephisto Nº1


Foi o criador do Poema Sinfônico, muito popular no século XIX. No campo da música sacra, salienta-se as 4 oratórias, S. Isabel, S.Stanislaus(incompleta), Christus, e a vanguardista Via Crucis. Escreveu duas sinfonias, a Sinfonia Dante, inspirada na Divina Comédia de Dante Alighieri, e a Sinfonia Fausto, composta por diferentes quadros que caracterizam as personagens de Fausto, do escritor romantico alemão Goethe. Liszt também possui inúmeros lieder, e peças para música de camara, das quais se deve destacar as para violino e piano.

A sua Sonata em Si menor, apesar de não ter agradado a Johannes Brahms, que diz ter adormecido durante a sua execução, é provavelmente a obra maior do compositor húngaro. Também muito populares são suas rapsódias húngaras para piano. A Rapsódia n.2, a mais conhecida delas, tornou-se muito popular até como trilha sonora de desenhos animados.
Im:Wikipedia

Mittwoch, 15. Juli 2009

Dienstag, 14. Juli 2009

seitens der Städte.. LONDON: Jenny Saville

LONDON 2008
Kino:G.Ludovice

Jenny Saville


Nasceu em Cambridge no ano de 1970, integra o movimento Young British Artists e tem vasta formação cuja base assentou na Glasgow School of Art, na Universidade de Cincinnati no Ohio e, finalmente, mas não menos relevante, na Slade School of Art em Londres.

Mas, Saville afirma que o "turning point" da sua carreira ocorreu na Universidade de Cincinnati quando se cruzou com mulheres monumentais, hiper-obesas, vagueando pelo campus Universitário em shorts e t-shirts que não escondiam a obscenidade da sua carne.

No final da pós-graduação na Slade, o trabalho de Jenny Saville é revelado a Charles Saatchi, um dos mais influentes coleccionadores de arte do Reino Unido, que logo comissariou trabalhos a Saville durante 2 anos.

Acompanhou cirurgias plásticas e reconstrutivas, estudou anatomia e interrogou os mestres do bisturi para lhes captar a arte do ofício e treinar a mão para os seus trabalhos nos quais, com a espátula e o pincel, vai esculpir e cinzelar a carnalidade dos seus fantasmas.


As personagens, os temas e os espectros da sua arte seriam escalpelizados retratando a condição das vítimas, dos traumatizados, das deformidades e respectivas correcções plásticas, culminando numa série de retratos de transexuais que, na busca de uma identidade, encontram um bizarro terceiro género.


Apesar do seu trabalho estar arrumado no movimento conceptual da escola Young British Artists a marca de Saville recorre ao classicismo da pintura a óleo.

Jenny Saville pinta em escalas gigantescas retratando paisagens corpóreas que ora evocam a celebração das imagens de fertilidade cristalizadas, por exemplo, na Vénus de Willendorf, ora apresentam uma reminiscência distorcida do arquétipo do nú Barroco. Alguns quadros são autênticas esculturas a tinta de óleo com uma imponência que enche qualquer galeria. De tal forma é essa a sua obsessão que é assim que se revê no óleo do seu auto-retrato.

Esculpe retratos intimistas, numa escala gigantesca, exibindo o corpo humano como objecto que pode ser moldado até ao limite, por exemplo, de uma obesidade que é hoje obscena. Tal audácia mereceu basta controvérsia social.

Polémicas à parte afinal de contas o trabalho de Saville tem o classicismo do retrato a óleo e a dimensão personalista que faz do corpo humano o centro das suas obsessões que pinta à dimensão de um outdoor publicitário.
IM:Ilhas

seitens der Städte.. BERLIN: Lucian Freud

BERLIN 2008
Kino:G.Ludovice


Lucian Michael Freud


É um pintor alemão, filho de pais judeus, Ernst Ludwig Freud, arquitecto, e de Lucie Brasch.

Ele é neto de Sigmund Freud e irmão do escritor e político Clement Raphael Freud e de Stephan Gabriel Freud.
Freud e sua família mudaram-se para o
Reino Unido no ano de 1933 para escapar ao regime do nazismo; ganhou a cidadania britânica no ano de 1939. Durante esse período ele estudou na escola Dartington Hall, em Totnes, Devon, e posteriormente na Bryanston School





Freud estudou brevemente na Central School of Art em Londres, depois, com grande sucesso, na Cedric Morri's East Anglian School of Painting and Drawing em Dedham, e também na Universidade londrina de Goldsmiths de 1942 a 1943.





Desde então, ele serviu como marinheiro mercante no comboio atlântico em 1941 antes de ser invalidado do serviço em 1942.
Sua primeira exibição solo, na Lefevre Gallery em
1944, apresentou o agora celebrado The Painter's Room. No verrão de 1946, ele viajou a Paris antes de ir à Itália e lá ficar por vários meses. Desde então ele mora e trabalho em Londres.



As primeiras pinturas de Freud são freqüentemente associadas com o surrealismo e por apresentar pessoas e plantas em justaposições incomuns. Esses trabalhos são normalmente pintados com com pintura bastante magra, mas a partir da década de 1950 ele começou a pintar retratos, geralmente nús, para a quase completa exclusão de tudo o mais, e começou a usar um impasto mais espasso. Com o uso dessa técnica, ele limpava seu pincel a cada pincelada. As cores nessas pinturas são tipicamente emudecidas. Os retratos de Freud geralmente apenas representavam os modelos, as vezes nús no chão ou na cama, mas as vezes o modelo é justaposto com algo mais, como em Menina com um cão branco e Homem nú com chapéu.




O nu da modelo Kate Moss pintado por Lucian Freud será leiloado pela Christie's como parte do lote Arte do Pós-Guerra e Contemporânea.


Os temas de Freud são geralmente de pessoas nas suas vidas; amigos, família, amores, crianças. Nas palavas do artista "o assunto do tema é autobiográfico, tudo sempre tem a ver com esperança e memória e sensualidade e envolvimente, mesmo."
"Eu pinto pessoa -
diz Freud - não precisamente pelo que elas parecem, não exactamente pelo que elas são, mas como eles deveriam ser."





Freud pintou um bom número de amigos artistas, incluindo Frank Auerbach, e também Henrietta Moraes, uma musa para muitos artistas do bairro londirno de Soho.

Freud é um dos mais conhecidos artistas britânicos que trabalha com um estilo tradicional representacional, e recebeu o
Prêmio Turner no ano de 1989. De acordo com o jornal Sunday Telegraph de 1 de setembro de 2002, Freud tem cerca de 40 filhos, reconhecendo todas quando se tornam adultos. Depois de seu romance com Lorna Garman, ele casou com sua sobrina Kitty (filha do escultor [[Jacob Epstein e da socialite Kathleen Garman) em 1948, mas seu casamento acabou depois de quatro ano que ele iniciou um romance com Lady Caroline Blackwood, escritora. Eles casaram em 1957.
Suas pinturas After Cezanne, que é notável pelas suas formas incomuns, foi comprado pela
Galeria Nacional da Austrália por 7.4 milhões de dólares.




Lucian Freud foi professor visitatnte na Slade School of Fine Art de 1949 a 1954, na Universidade de Londres.
Apesar de internacionalmente conhecido como um dos mais importantes artistas da actualidade, há poucas oportunidades de ver as pinturas e gravuras de Lucian Freud no
Grã-Bretanha. Em 1996, houve uma grande exibição de 27 obras e 13 gravuras na Abbot Hall Art Gallery em Kendal, cobrindo todo os períodos da obra de Freud. Isso foi notavelmente seguido por um grande retrospectivo na Tate Britain em 2002. Durante o período de maio de 2000 a dezembro de 2001, Freud pintou a rainha Isabel II do Reino Unido (Elizabeth II).
Im:Wikipedia/youtube